O PAPEL DA CONSULTORIA NOS PROCESSOS DE INOVAÇÃO.

O papel da consultoria nos processos de inovação

Por Juedir Teixeira

Ph.D.

A competitividade e o sucesso de uma empresa estão intrinsicamente ligados à capacidade de inovação. Ou seja, na competência de encontrar novas maneiras para fazer as mesmas coisas, porém, de forma diferente.

No entanto, a perda de energia e de recursos na busca pela inovação pode ser grande. Aqui vale aquela máxima: o diagnóstico é mais importante do que o prognóstico. Isto é, o levantamento de dados baseado em evidências.

Aliás, uma das grandes contribuições da Filosofia para a Administração é o Princípio da dúvida sistemática ou da evidência. De acordo René Descartes (1596-1650), criador da filosofia moderna, não devemos aceitar como verdadeira coisa alguma até que se saiba com evidência que aquilo é realmente verdadeiro.

Com a dúvida sistemática evitamos a precipitação. E isso é muito comum quando se busca soluções sem o devido aprofundamento das reais e comprovadas causas do problema.

O mundo dos negócios passa por rápidas e profundas transformações e constantemente surgem novas ferramentas de gestão. Então, não tem mais problema que não possa ser resolvido! É só aplicar a ferramenta correta, dentre as diversas existes, como por exemplo:  o Planejamento Estratégico, o Mapa Estratégico, Balanced Scorecard (BSC), Modelo de Avaliação e Melhoria de Performance Empresarial e Metodologias Ágeis ((Scrum, Lean, Kanban, Smart e Feature Driven-Development (FDD.

Não é bem assim. É evidente que, se utilizadas de forma adequada, essas e outras ferramentas podem trazer grandes oportunidades de melhorias para as organizações. Porém, desde que sob uma visão crítica e imparcial da empresa.

É fato também que as empresas buscam sempre ter profissionais qualificados em seus quadros. No entanto, quando se fala de imparcialidade no diagnóstico dos problemas o olhar externo e não “contaminado e influenciado” é fundamental.

Por isso, para auxiliar no processo de gestão, muitas empresas buscam no ambiente externo o conhecimento especializado de um consultor. Assim, garantem a tão necessária visão crítica e imparcial.

Separando o joio do trigo no celeiro das verdades

O papel do consultor deve ser o de ouvir todas as verdades da empresa, pois cada nível hierárquico tem a sua própria verdade. O CEO tem uma verdade, os membros da diretoria têm suas verdades e os gestores nos diversos níveis têm as suas. Assim como o pessoal da linha de frente, que também tem a sua verdade. E os clientes têm suas verdades, que são as verdadeiras verdades, dentro do princípio de centralidade no cliente.

O consultor precisa saber ouvir a todos e, no final, construir a sua própria verdade, baseada em suas percepções e experiência profissional. Numa empresa varejista, por exemplo, a verdade mais próxima da realidade é sempre a do pessoal de venda e a dos clientes.

Por isso, o consultor precisa trabalhar baseado em evidências e sempre que possível com dados mensuráveis. Suas propostas de melhorias devem ter o mínimo possível de questionamento, pois contra fatos não há argumentos.

Outra grande vantagem de ouvir todos os envolvidos no processo é que fica muito mais fácil de implementar as mudanças, já que serão construídas de forma compartilhada com as pessoas envolvidas. Essas mudanças do processo de gestão podem ser globais ou para apenas para alguma área específica.

Engajar, compartilhar e implementar

Como o processo de consultoria envolve transformações, que normalmente exige mudança de comportamento das pessoas, demanda muita paciência e persistência. Sendo assim, quanto maior o envolvimento e comprometimento das pessoas envolvidas, melhor será́ a implementação das mudanças. Propor mudanças é fácil, o difícil é implementá-las.

O sucesso do trabalho de consultoria depende de três fatores fundamentais:

  • Liderança forte: (vontade política de fazer), a alta administração da empresa precisa comprar a ideia e validar as alterações. Sem isso a mudança não acontecerá de forma satisfatória;
  • Método de Gestão: (papel do consultor), o consultor precisa adotar as ferramentas e métodos de gestão mais adequados à realidade e cultura da empresa;
  • Conhecimento do Negócios: (o pessoal da empresa) o consultor precisa ouvir quem conhece o negócio em si. Sem conhecer a essência do negócio ou da área da empresa objeto do trabalho de consultoria, o resultado estará condenado ao fracasso.

Qualquer trabalho de consultoria deve ter como foco principal melhorar o processo de gestão, visando tornar o negócio sustentável. Um negócio sustentável precisa ter os seus clientes satisfeitos. Para ter os clientes satisfeitos, precisa ter os funcionários satisfeitos. Como também, a empresa precisa dar lucro para satisfazer os acionistas e precisa conviver de forma harmoniosa com a sociedade onde atua.

O sucesso do trabalho de consultoria está́ na busca constante do equilíbrio. Ou seja, satisfação dos anseios dos clientes, dos funcionários, dos acionistas e da sociedade na qual a empresa está inserida.

Afinal, para que serve a tal da inovação?

Uma boa definição de inovação foi feita pelo cientista Albert Einstein que diz: “Não há maior sinal de loucura do que fazer a mesma coisa repetidamente e esperar, a cada uma, resultado diferente”

Inovação no meio empresarial significa a exploração de novas ideias para melhorar os negócios, criando vantagens competitivas (aquilo que empresa tem e que o concorrente não tem e que vai demorar a ter) e gerando valor no negócio.

Pela própria definição podemos concluir que a inovação não está restrita às grandes empresas nem às empresas de tecnologia avançada. Todas as empresas podem inovar, basta pôr em prática ideias e métodos diferentes que resultem em novos produtos ou processos inovadores. No Brasil, as micro, pequenas e médias empresas, enfrentam hoje uma concorrência jamais vista. O que faz da inovação um ponto nevrálgico e estratégico.

Existem diversas possibilidades de inovar no dia a dia empresarial, dentre as quais podemos destacar:

Inovação em Produto (Bens e serviços) – quando há mudança na forma no que se faz ou melhoramento significativo de produtos já existentes. Exemplo: venda na loja física x venda pelo e-commerce.

Inovação de Processos – quando há mudança no como se faz. Aprimorar ou desenvolver novas formas de fazer, melhorando processos para aumentar receita e reduzir despesas.

Inovação Organizacional – quando são adotados ou desenvolvidos novos métodos de gestão, seja no local de trabalho ou nas relações da empresa com o mercado (clientes e fornecedores).

Inovação em Marketing ou Modelo de Negócio – quando são adotados ou desenvolvidos novos métodos de marketing e comercialização, com mudança significativa na concepção do produto, no design ou sua embalagem, no posicionamento do produto no mercado, em sua promoção ou formação de preço. Esta é a parte da inovação mais adotada pelo varejo, juntamente com a inovação por processo

Sem o diagnóstico correto, não há inovação

Um processo de inovação exige muito estudo, planejamento e organização para sua introdução. Normalmente, os gestores da empresa, envolvidos nos seus processos operacionais, não dispõem de tempo. Além disso, muitas vezes não têm experiência nesse tipo de trabalho o que prejudica a sua implantação.

Aliás, existem seis variáveis estratégicas que podem afetar o desempenho de qualquer empresa. Elas podem ser usadas no trabalho de consultoria para identificar em quais variáveis a empresa tem mais necessidade de melhorar.

São elas:

  • Estrutura: como a empresa está departamentalizada? Se as atribuições de cada departamento estão claramente definidas e se existe ou não conflitos entre as áreas de atuação de cada departamento.
  • Pessoas: são recrutadas, selecionadas, treinadas e desenvolvidas de acordo com os objetivos estratégicos da empresa? A base de remuneração está de acordo com o mercado no qual a empresa atua? A rotatividade (turnover) é alta em relação aos concorrentes?
  • Tecnologia: a tecnologia adotada pela empresa está de acordo com os seus concorrentes? Atende plenamente as necessidades da empresa? Contribui de forma efetiva para a melhoria da gestão e da melhoria de experiência de compra do cliente?
  • Tarefas: todos os processos da empresa estão mapeados? São constantemente atualizados? São simples e eficazes?
  • Ambiente: o ambiente no qual a empresa opera, quais são os fatores externos que afetam de forma direta as atividades da empresa? Como a empresa se relaciona com o esse ambiente para minimizar seus efeitos sobre os resultados da empresa?
  • Competitividade: o mercado, no qual a empresa atua é muito competitivo? A empresa consegue ser competitiva no mercado?

Em trabalhos de consultoria de gestão sempre procuro fazer um estudo da maturidade de gestão da empresa, usando a ferramenta Matriz de Importância x Desempenho, para identificar  quais as variáveis estratégicas são mais importantes para a empresa e quais as que apresentam os melhores desempenhos. As variáveis com alta importância e baixo desempenho são as prioritárias para o início do trabalho de consultoria.

O processo tem início com reunião com os gestores das principais áreas funcionais da empresa, os quais respondem dois questionários: numa escala de zero que nota você atribui para a importância e para o desempenho das variáveis estratégicas mencionadas? Depois de respondidos, procede-se a tabulação dos dados e a construção de um gráfico, que servirá de base para futuras avaliações, visando medir o resultado do trabalho de consultoria.

Exemplo:

A vaiável que merece maior atenção é a que apresentar o maior gap entre a importância e o desempenho, que no exemplo acima é a variável tecnologia, seguida de ambiente.

Para cada oportunidade de melhora identificada o consultor deve definir, por exemplo:

Objetivo: Reduzir custos logísticos:

Meta: reduzir custos logísticos em 20% no prazo de seis meses;

Estratégia: que ações devem ser adotadas para que a meta seja alcançada;

Indicador: como medir se está indo em direção a meta. Levantar os custos logísticos no início do processo e acompanhar o resultado mensalmente para saber se está havendo a redução prevista.

Neste artigo procuramos abordar as principais ferramentas de gestão, os principais cuidados e recomendações que devem ser usados no processo de consultoria, os quais temos utilizados, com sucesso, em mais de 20 anos de trabalho de consultoria de gestão de negócios, em empresas de diversos portes e segmentos de mercado.

Juedir Teixeira

Ph.D

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.