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  • Prof. Dr Juedir Teixeira

RESUMO DO GLOBAL RETAIL SHOW

Juedir Teixeira

PhD.





Empresário Abilio Diniz fala sobre expectativas para o mundo pós-pandemia

“O mundo pós-pandemia será o mesmo, mas algumas tendências serão reforçadas.” Com esse recado, o empresário Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração da Península Participações, fez a abertura de honra do Global Retail Show 2020, maior evento do varejo brasileiro, que começou hoje (13) e vai até sábado que vem, dia 19 de setembro.

Totalmente online, o GRS reúne mais de 250 palestrantes de 15 países em 19 trilhas de conhecimento. Diniz falou logo depois da apresentação de Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, que promove o evento.


“Algumas questões vieram para ficar, como, por exemplo, a do e-commerce. Ele já existia, mas houve um aumento muito grande porque as pessoas descobriram que podem usá-lo de maneira eficiente. O home office também já existia, mas não da forma como é feito hoje. Haverá uma mudança na forma de trabalhar, nas formas de habitação”, acredita Abilio Diniz.

O empresário brasileiro também acredita em mudanças na forma como as pessoas encaram a vida. “Como as pessoas ficaram com medo de ficar doentes, elas vão se cuidar mais, e perceberam que isso é bom para o seu bem-estar e para a sua felicidade. Elas também estão estudando mais, querendo adquirir mais conhecimento”, avalia.

Para Diniz, diferentemente de outras crises, essa tem uma característica particular, que é o fato de não ter uma data definida para acabar. “Não vai existir o fim da crise e o fim da pandemia. A crise vai terminando aos poucos porque, mesmo com as vacinas, levará um tempo para todos se imunizarem.”

“O momento é perfeito para investir”, diz o americano Rudolph Giuliani

A pandemia de Covid-19 trouxe mudanças profundas na maneira como as pessoas compram, vendem e produzem no mundo inteiro. “Estamos em um mundo totalmente diferente do que estávamos há exatamente um ano”, disse neste domingo (9) o americano Rudolph Giuliani, advogado pessoal do presidente Donald Trump na abertura do Global Retail Show 2020, o maior evento virtual sobre varejo do mundo.


Ex-prefeito de Nova York entre 1994 e 2002, Giuliani disse que, um ano atrás, poderia vir ao Brasil ou viajar a qualquer parte do mundo sem problema. Agora, com as restrições à mobilidade, é necessário recorrer cada vez mais às ferramentas de comunicação. “Vivemos em uma cibersociedade três ou quatro vezes maior do que havia antes, o que tem seu lado positivo”, disse.


O crescimento do comércio online compensa, de certo modo, os problemas que os consumidores enfrentam para fazer compras em lojas físicas, especialmente em lojas de conveniência, que, pela necessidade de manter o distanciamento social, precisam limitar o número de clientes que podem entrar no estabelecimento ao mesmo tempo.


Queda de mortes por Covid-19 nos EUA

Giuliani ecoou uma narrativa de Trump, que frequentemente atribui a pandemia da covid-19 aos chineses. “Há um sentimento de que a China é responsável por esse vírus”, disse. Isso, segundo ele, é uma barreira para a normalização do comércio entre os países.

O ex-prefeito de Nova York, no entanto, se disse otimista com a redução da taxa de mortalidade por coronavírus no seu país e com a perspectiva da descoberta de uma vacina.

A economia americana ainda enfrenta alto nível de desemprego, mas Giuliani chamou a atenção dos investidores: “Os preços para fazer aquisições estão baixos neste momento. Este é o momento perfeito para investir”, afirmou. “Se olharmos para a economia dos Estados Unidos, daqui a seis meses ou 1 ano, com certeza vamos estar crescendo.”

Vamos juntos com a sociedade civil mudar esse país”, sugere presidente do IDV durante abertura do Global Retail Show

“A tecnologia tem sido uma ferramenta indispensável para atender a sociedade cada vez mais”. Foi com essa afirmação que Marcelo Silva, presidente do Instituto do desenvolvimento do Varejo (IDV), deu início a sua participação na abertura oficial do Global Retail Show, maior evento de consumo e varejo brasileiro, que começou hoje (13) e vai até sábado que vem, dia 19 de setembro.


Segundo ele, a pandemia mostrou que as empresas que ainda não estão no mundo digital devem entrar urgentemente. “O digital é uma cultura, e quem não estiver inserido nele está fadado ao insucesso. O consumidor se acostumou a comprar no conforto de seu lar, por isso, as empresas que estão no digital tendem a ter mais sucesso do que aquelas que não estão”, disse.


Para o executivo, a inquietude inserida nos brasileiros vem crescendo cada dia mais. “Estamos diante de um quadro muito difícil e que requer atitudes mais objetivas e pragmáticas. É necessário deixar de lado questões políticas partidárias e dar importância a assuntos realmente efetivos, declarou.


Marcelo Silva disse ainda que o país tem que simplificar brutalmente seu sistema tributário, tem que atacar a burocracia que sufoca tanto a pequena quanto a grande empresa, tem que redesenhar o Estado e suas prioridades. “Até quando a população irá suportar eleições a cada dois anos e suas máquinas administrativas do poder Executivo, Legislativo e Judiciário? Até quando deixaremos de ter uma reforma tributária que simplifique os tributos do Brasil para que todos paguem seus impostos de forma justa?. Quando iremos simplificar todos esses problemas a exemplos demais países?”, sugeriu o empresário.

Estamos passando por uma metamorfose da globalização”, aponta Marcos Troyijo


“A economia está passando por uma transformação. E a expressão que mais gosto de utilizar para caracterizar esse momento é a ideia de que estamos passando por uma metamorfose da globalização.” A afirmação é de Marcos Troyjo, presidente do Banco do Brics, que participou nesta manhã (13) do Global Retail Show, maior evento de consumo e varejo brasileiro, que começou hoje (13) e vai até sábado que vem, dia 19 de setembro, em ambiente 100% online.


Segundo ele, não é a primeira vez que diversas características estão sendo aceleradas por uma pandemia. “A minha impressão é que muitas dessas características irão continuar com bastante força. E associar essa aceleração com o saber a quantas anda a globalização é fundamental para que tenhamos um caminho de sucesso a diante”, disse.


Troyjo explicou que desde 1989 (com o episódio da queda do Muro de Berlim),até a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, o mundo viveu uma fase de “globalização profunda”, com o fortalecimento da integração regional, incluindo a criação da União Europeia. Agora, segundo Troyjo, vivemos uma fase de “desglobalização”, com o aumento do protecionismo e das restrições ao fluxo de mercadorias e capitais.


“O mundo está passando por uma mudança de sistema operacional. Até 2008, o mundo funcionava no sistema operacional de globalização profunda. O sistema operacional atual é de risco de desglobalização, onde países adotam políticas comerciais restritivas e questionam a legitimidade de organismos multilaterais”, explicou. Marcos Troyjo disse ainda que ao mencionar a fase de desglobalização não significa que a globalização parou, mas sim que ela perdeu o seu ritmo. “Precisamos entender o sentido de desglobalização igual ao significado de desaceleração”, contou.


Olhando para o futuro, Troyjo também se mostrou otimista com as oportunidades geradas pelo redesenho na economia global. O diplomata apontou que o chamado E7, o grupo das sete principais economias emergentes do mundo (China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México e Turquia), já tem um PIB combinado de 53 trilhões de dólares em PPP (poder de paridade de compra), montante superior aos 40 trilhões de dólares de PIB somado do G7, o grupo das sete nações mais ricas do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido). “Somos testemunhas de um eclipse espetacular que está acontecendo na economia global”, disse Troyjo. “Essa é uma dinâmica que vai continuar e que vai ter um gigantesco impacto sobre o comércio global, inclusive para o Brasil.”

“Existem muitas oportunidades para as empresas brasileiras e para o Brasil. Se nos fizermos as nossas reformas internas, continuarmos com uma maior inserção internacional e buscarmos parcerias estratégicas, o cenário pode ser basta

Economia brasileira tem três grandes desafios, afirma sócio do BTG

A economia brasileira tem três principais desafios neste momento, afirma o sócio e membro do Conselho de Administração BTG Pactual, Eduardo Loyo. Ele foi um dos participantes do primeiro dia do Global Retail Show, evento que reúne mais de 200 palestrantes de 15 países e debate o futuro do varejo e do consumo no mundo. O GRS 2020 vai até o próximo sábado, dia 19 de setembro.


“A economia sofreu um baque violento por causa da pandemia da Covid-19, e isso não foi exclusividade do Brasil. Mas o baque foi muito menor do que o que se imaginava inicialmente. A queda da atividade econômica foi menor e a recuperação está sendo bem mais rápida”, afirma Eduardo Loyo.


Segundo ele, no início da pandemia a expectativa era de uma queda de cerca de 9% no PIB brasileiro. “Agora, os economistas do BTG estimam uma redução de 5%. Ainda é grande, mas muito menor do que o índice anterior.”


Os três pontos de atenção

Para Loyo, no entanto, o País está diante de três desafios. Um é saber como sincronizar a retirada do auxílio emergencial concedido pelo governo para a população de renda mais baixa. “A retirada tem de ser gradual, como já tem sido feita. Mas a questão é: será que ela vai ser acompanhada de um impulso na economia ou a economia vai sofrer um novo baque?”


Outro ponto de atenção, para ele, é o cuidado que o governo deve ter na hora de conceder eventuais estímulos setoriais, para não fazer com que isso ocorra de forma desigual. Segundo Eduardo Loyo, um desequilíbrio nesse sentido poderia resultar no aumento da inflação, por exemplo.


O terceiro desafio brasileiro é continuar com foco na questão fiscal. “O acolchoamento econômico feito durante a crise não sairá de graça. Haverá aumento da razão da dívida na comparação com o PIB na casa de 20 pontos porcentuais. Isso não só por causa dos estímulos concedidos, mas também por causa da queda na arrecadação.

E-commerce é responsável pela redefinição do varejo, afirmam especialistas americanos

O crescimento explosivo na demanda por serviços de compras online impulsionado pelo coronavírus está prestes a redefinir a abordagem do varejo para o e-commerce, de acordo com consultores do setor.

Segundo Neil Stern, senior partner na McMillanDoolittle, para manter as lojas físicas ativas – ainda muito importante para os negócios -, os varejistas devem lidar com três tendências que a pandemia de Covid-19 vem acelerando ao longo dos meses.

A primeira é o “valor extremo”. “É a caça ao tesouro”, disse Stern. “É encontrar algo que você não esperava. [A rede de clube de vendas] Costco é um grande exemplo dessa caça ao tesouro, assim como a marca própria.” O desafio é fazer o varejista ser mais barato e ter custos menores, proporcionando um ambiente centrado na descoberta e na novidade e criando alternativas atraentes para grandes marcas nas quais os clientes confiam.

Outro exemplo citado por ele é o da multinacional alemã Aldi, uma das maiores cadeias de supermercados do mundo. “Ela é o elefante do varejo”, definiu Stern. A empresa espera ter 2.500 lojas até 2022. Para isso, está expandindo e aumentando as lojas atuais e criando um formato inovador para atrair novos compradores. “Preços baixos não significam tanto entusiasmo. A marca própria provavelmente crescerá muito mais rápido do que a convencional”, afirmou o consultor.


Convivência e experiência

A segunda tendência é a da “conveniência extrema”. É isso que os consumidores obtêm nas compras online. Para mantê-los indo à loja, a experiência precisa ser mais agradável. “Concentre os esforços de tecnologia na remoção da fricção da experiência do cliente e elimine os pontos fracos das compras”, disse Stern.


Mudanças futuras podem incluir, ainda, formatos de loja menores focados em setores específicos de alimentos e bebidas, bem como baseados em vegetais ou orgânicos apenas.

O terceiro ponto é desejo por uma “experiência extrema”. Isso é algo que o cliente não pode obter no ambiente online.


“Há um poder de mudança de jogo por meio de excelentes exibições e experiências”, disse Stern. Incluir elementos que convidam os clientes a permanecer mais tempo na loja e criar produtos impressionantes em torno de uma categoria específica são direcionamentos compartilhados pelo especialista.

Novos canais de atendimento


A Evereve, sediada em Edina, no Estado de Minnesota, empresa de roupas femininas com 90 lojas em 28 Estados americanos, avançou com cinco novas lojas planejadas neste ano mesmo com a crise da Covid-19, disse Mike Tamte, cofundador e co-CEO.

A marca está em melhor situação financeira do que muitos varejistas, com um balanço patrimonial livre de dívidas. Mas, claro, teve perdas também. “Perdemos cerca de US$ 8 milhões em oito semanas, US$ 150 mil por dia”, disse Tamte. “Provavelmente teremos vendas de cerca de US$ 120 milhões este ano. Sem a Covid, provavelmente seriam cerca de US $ 200 milhões.”


Em meio à pandemia, a Evereve lançou o “Dressing Room to Go”, sistema por meio do qual um estilista escolhe de 12 a 15 itens com base nas preferências do cliente. Após a coleta, o cliente tem 48 horas para experimentar as roupas e devolver os itens não desejados antes de serem cobrados. “Foi criado para o cliente que quer pular esta etapa de ir até uma loja, mas ainda tem a orientação de um estilista”, disse Tamte.


O executivo disse que 23% das vendas eram por meio digital e 77%, nas lojas físicas. Depois da pandemia, as vendas online aumentaram para 35%. Segundo Tamte, quando o cliente tem mais opções de canais, ele compra mais e, com isso, as chances de estar mais próximo do seu público é ainda maior.


As lojas da Evereve, abertas em horários reduzidos, estão operando com pagamento sem contato e recibos por e-mail. Segundo Tamte, eles também estão disponibilizando as devoluções por 24 horas e os itens experimentados nos provadores não serão colocados de volta na área de vendas até o dia seguinte.


Preocupação com a comunidade

A rede de supermercados New Seasons também mudou o horário de funcionamento para permitir que a equipe tenha tempo para estocar as prateleiras e preparar as lojas para os clientes.


“Temos trabalhado incansavelmente com nossas equipes de operações de loja e as autoridades de saúde locais para determinar procedimentos temporários e proteger nossa equipe e clientes”, disse o CEO, Forrest Hoffmaster.


Entre as preocupações apontadas por ele, estão a nova sinalização informativa e direcional em cada loja, que incentiva os clientes a manter uma distância saudável do outro no caixa e nos balcões de atendimento; o uso de sacolas e recipientes de bebidas reutilizáveis ​​e o aumento das práticas de saneamento, incluindo a desinfecção de áreas comuns com maior frequência de acordo com as orientações das autoridades de saúde, e os rigorosos procedimentos habituais de saneamento e segurança alimentar.


Valorização do colaborador

A New Seasons também está apoiando sua equipe com bônus quinzenais em reconhecimento à dedicação e ao trabalho nesse período, assim como acompanhando de perto os membros da equipe que apresentarem sintomas.


Além disso, Forrest Hoffmaster disse que o desconto dado aos colaboradores que fizeram compras nas lojas em que atuam aumentou para 30% em alimentos, produtos de bem-estar e utensílios domésticos. Os funcionários da loja são incentivados aproveitar o período antes da abertura e depois do fechamento para fazer compras para eles e suas famílias.


Covid-19 acelerou estratégias nos supermercados da Itália, dizem especialistas

As vendas via e-commerce terão um papel importante para o mercado, mas elas não irão substituir a força das operações físicas. Segundo especialistas, a tendência é que os dois canais sejam sinérgicos e fluidos.


A conclusão foi compartilhada durante o painel “O setor supermercadista italiano e a próxima normalidade”, que teve a mediação de Massimo Volpe, CEO da Global Retail Alliance, nesta segunda-feira, segundo dia do Global Retail Show.


O tema foi debatido por Ludovico Carbone, vice-presidente de Marketing & Loyalty da rede de supermercados Basko; Tommasso Lippiello, professor da LIUC University, e Alessandro Maggio, diretor de Marketing e Mercado Digital da empresa especializada em campanhas de fidelidade Jakala.


Percepção de risco em queda


Segundo dados de uma pesquisa apresentada por Alessandro Maggio, a percepção de risco a respeito da Covid-19 entre os italianos está diminuindo desde março de 2020 por causa da redução de casos no país.


No início da pandemia, 59% da população estava extremamente ou muito preocupada; hoje, esse índice caiu para 40%.


Por outro lado, apesar de o Índice de Confiança do Consumidor ter aumentado em agosto, o impacto da pandemia na renda familiar aumentou de 49% para 60%. O motivo é a percepção pessimista com relação à economia.


A pesquisa mostra, ainda, que houve queda entre os consumidores que decidiram diminuir os gastos, principalmente fora de casa. Em setembro, os gastos com alimentos mostraram um forte aumento, de 60%, com relação ao período pré-Covid-19, com registro de 60%.

Com relação ao e-commerce, para 40% dos consumidores essa “nova forma de fazer compras” foi o canal mais utilizado até setembro de 2020.


Prioridades para os varejistas


Com base em toda pesquisa, o time da Jakala definiu quatro prioridades para o varejo. Uma é o uso de um mix de mídia local mais eficaz, de acordo com as características da área de abrangência do ponto de venda e a condição de segurança epidemiológica da região. Outra é a otimização do sortimento de acordo com os novos paradigmas de consumo da Covid-19.

A terceira prioridade apontada é a consolidação das ferramentas e processos que garantem uma experiência de compra segura, simples e satisfatória para o cliente. E a quarta é a recuperação de compras por impulso também no canal online.


Lojas de proximidade


Ludovico Carbone, da rede de supermercados Basko, as lojas de proximidade são as grande salvação e o canal mais importante para os consumidores se sentirem seguros hoje. A empresa tem 60 lojas físicas e uma online.


Ele conto, ainda, que a rede operou em várias frentes durante a pandemia para garantir toda a operação. Entre elas, estiveram ações para garantir a confiabilidade ao clientes, inovação com soluções assertivas para atender à demanda, aumento no sortimento de produtos e introdução de novos itens para suprir as necessidades atuais.


A rede também apostou em descontos nos produtos, cashback e aumento de cupons de desconto para pagamentos no totem das loja. Com toda essa adaptação, Ludovico Carbone revelou que a Basko teve crescimento de 140% no período da pandemia.


Para o executivo, o e-commerce tem uma missão estratégica. “Provavelmente não sera a principal área do negócio, pois o físico será sempre o mais importante. Mas ter atenção a este canal é importante, tanto que olhamos para este tema desde 2004”, afirmou.


Mudanças de comportamento

Já o professor da LIUC University, Tommasso Lippiello, citou a mudança de percepção do consumidor no mercado com a pandemia. Segundo ele, as lojas de proximidade preencheram uma lacuna que estava ainda em aberto na Itália. As restrições de mobilidade também forçaram a população a migrar para o online.


“Atualmente, temos um crescimento progressivo de clientes no e-commerce. Cada marca no mercado de alimentos está tentando se adaptar a essa nova normalidade e o omnichannel para este ano é algo que tem de ser levado em consideração na estrategia das empresas”, alertou.


Tommasso Lippiello disse que é preciso oferecer a melhor experiência ao usuário. Para ele, conhecer o cliente, oferecer tecnologia nas lojas e saber exatamente que é a sua audiência são estratégias assertivas.


O especialista também falou sobre a importância do e-commerce. “O e-commerce é algo que não está relacionado 100% apenas aos supermercados online, mas a qualquer tipo de setor, e por isso precisa ser pensado para o negócio”, afirmou.


PIX e pandemia fazem indústria de meios de pagamento se reinventar


Num mundo muito mais conectado e de transações remotas, a indústria de meios de pagamento está se reinventando para se adequar não apenas às consequências da pandemia de Covid-19, mas também às novas plataformas que estão surgindo, com o PIX, desenvolvido pelo Banco Central.


A revolução dos meios de pagamento foi destaque de um debate sobre finanças realizado no segundo dia do Global Retail Show 2020.


“O cartão sempre teve de se desafiar muito para encontrar a razão de ser de acordo com a necessidade dos clientes”, disse o presidente da Mastercard Brasil, João Pedro Paro Neto.

Para ele, não é diferente agora. “A maneira de consumir mudou e a indústria de pagamentos está evoluindo para garantir confiabilidade nas transações num mundo mais remoto e conectado.”


75% já fizeram transações no mundo digital

Durante a apresentação, ele mostrou números de uma pesquisa da Mastercard que apontam que, atualmente, mais de 50% das transações são feitas sem que o cartão precise estar presente – antes da pandemia, eram pouco mais de 30%.


Segundo a mesma pesquisa, 75% das pessoas já fizeram transações no mundo digital e 61% já testaram o pagamento por aproximação. “Além disso, 56% mudaram o comportamento de pagamento por causa da pandemia e 50% concordam que novas tecnologias foram mais usadas”, pontua João Pedro Paro Neto.


O estudo da Mastercard também mostra o que os consumidores esperam para a próxima década. Cerca de 55% acreditam que as transações financeiras serão feitas em tempo real; 42% acham que as lojas não vão mais aceitar dinheiro; e 27% acreditam que os pagamentos serão feitos por meio de assistentes virtuais.


Acesso a público que não tem conta em banco

Outro participante do debate virtual foi o CEO do Banco Carrefour, Carlos Mauad. A marca, criada em 1989 como administradora, se transformou em banco em 2007. “Somos uma plataforma tecnológica com serviços financeiros associados a um grande ecossistema de varejo. Por causa disso, temos a possibilidade de pilotar o pagamento de contas nas lojas do Carrefour e do Atacadão, ou seja, estamos nas duas pontas.”


Atualmente, existem mais de 8 milhões de cartões Carrefour aptos para uso. Muitos dos clientes são pessoas que não têm acesso ao crédito nos bancos tradicionais. Público que também deve ser beneficiado pelo PIX, o sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central e que entra em vigor em novembro.


Saque de dinheiro no caixa das lojas

Carlos Eduardo Brandt, chefe-adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, deu detalhes do PIX durante o debate. Ele destacou as vantagens do novo sistema para os varejistas, que poderão, por exemplo, dar aos clientes a possibilidade de sacar dinheiro no caixa.


Brandt destacou, ainda, que a plataforma vai trazer agilidade e economia. “Hoje, quando um cliente faz uma compra com boleto no e-commerce, o varejista precisa separar o produto, aguardar a confirmação do pagamento, dar baixa no estoque e fazer o envio, se a transação for aprovada. Se não for, o produto é levado de volta ao estoque, e existe um custo nessa gestão. Esse custo será eliminado com o PIX”.


O chefe-adjunto do Banco Central lembrou que, apesar de a plataforma representar um gasto para os varejistas, ele será baixo, da ordem de R$ 0,01 centavo a cada dez transações realizadas. Mais de 900 instituições já se prontificaram a oferecer o PIX como meio de pagamento.


Outro participante do painel foi o presidente da Senff, Leopoldo Senff. A empresa, que tem quase 130 anos de tradição no varejo, oferece cartões private label desde 2000. Ele destacou que, entre os diferenciais, está a oferta desse tipo de cartão para lojistas de todos os portes. “Também oferecemos contas digitais e seguros.”


Consumidor do Amanhã: 75% acham que o futuro será positivo, diz pesquisa da Mosaiclab e Toluna


Mesmo com a pandemia de Covid-19, a sociedade global tem esperança de um futuro melhor. A visão positiva é um dos resultados apontados pela pesquisa “Tomorrow’s Consumer: Consumidor do Amanhã Tendências de Comportamento, Compra e Consumo para o Futuro”, realizada pela Mosaiclab, empresa expert em inteligência de mercado e tendências da Gouvêa Ecosystem e a Toluna.

De acordo com Karen Cavalcanti, sócia da Mosaiclab, o consumidor, hoje, não pode ser mais entendido como alguém que compre um produto ou serviço. A era é do consumidor positivo, mais engajado com propósitos e ideias relevantes. “Ele é muito mais hiper conectado, experiencial, opinativo, imediatista e também tem uma jornada de não comprar nada linear, o que não facilita nada no mundo dos negócios”, comentou ela ao apresentar os resultados da pesquisa neste domingo (13) na abertura do Global Retail Show, evento 100% online que acontece até o dia 19 de setembro.


“Ele tem um mindset positivo. Para 75% das pessoas, o futuro vai ser melhor. Esse otimismo é forte em vários países”, disse Karen. “Muitos acham que a renda vai aumentar bastante. E a geração Z, que são os jovens de 18 a 24 anos, vê um aumento de renda para o futuro”, explicou Karen.


A pesquisa, realizada em agosto, foi desenvolvida em parceria a Toluna, plataforma líder em inteligência de consumidor, com 5 mil entrevistas em 17 países (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Estados Unidos, Canadá, México, França, Alemanha, Holanda, Portugal, Reino Unido, China, Austrália, Japão e África do Sul).


Tendências

Uma das tendências identificadas pela pesquisa é chamada de Pandemic Fear. “As pessoas têm medo de qualquer coisa, medo de pegar outras doenças”, explicou a sócia do MosaicLab, acrescentando que a pandemia acelerou mudanças nos campos humanos tecnológicos e econômicos. “E isso muda a forma como as pessoas vão agir, na forma de consumo.”


Entre os baby boomers, 42% se inquietam com a possibilidade de aparecimento de novas pandemias, enquanto na geração Z essa preocupação é de apenas 25%. Segundo Karen, a rotina das gerações mais novas foi menos afetada, uma vez que as mudanças foram mais naturais para elas. “O dia a dia dos mais novos não foi tão afetado”, explicando que pessoas dessa faixa etária estavam mais habituadas a se relacionar em ambiente online.


Outra tendência capturada pela Tomorrow’s Consumer é que a pandemia tem sido um vetor de reflexões. “A maioria afirma que levará algum aprendizado”, disse Karen. Do total, 75% apontam aprendizados práticos e imediatos e outros 75% destacam um legado reflexivo e prolongado, como valorizar mais a família.


A pesquisa revela ainda que vai crescer a busca por lazer, mas no início em um movimento ainda pendular, ora com mais cuidados com higiene, ora de um modo menos preocupado. “As pessoas querem recuperar o tempo perdido”, destacou Karen. “Há um aumento de interesse por viajar. Até das pessoas que não estavam acostumadas a viajar.” Outra tendência é das micro viagens, só pelos finais de semana, ou em finais de semana estendidos.


Uma tendência forte é o chamado GlobalTechSharing mostra que a integração tecnológica sem fronteiras vai ser ainda mais pulsante, como a da solidariedade. “Tem também as pessoas que têm preocupação com perder o emprego em função da tecnologia. E outra tendência são as pessoas que têm dificuldade de digerir as informações. E isso é insight para as empresas, para passar informações de forma mais objetiva”, disse Karen. Também se percebe um movimento novo de conveniência, com uma certa migração do “ter” para o “alugar” — caso dos serviços de streaming.


Outros movimentos identificados são o MindCraft (“o faça você mesmo”, uma mentalidade mais artesã) e o Home Reframing, em que se percebe uma necessidade de valorizar mais o ambiente em casa, com o advento do home office. “Há uma necessidade de natureza e as pessoas estão buscando, por exemplo, ter mais plantas nos ambientes”, disse Karen.

“A preocupação com a sustentabilidade é outra macrotendência da sociedade, mas o que a gente vê é o uso da tecnologia aplicado. A bioconstrução e a economia circular são temas muito fortes”, disse Karen, destacando que a sustentabilidade humana também é uma preocupação.


O que faz os consumidores admirarem uma marca? Tem quatro pilares. “Um é o MegaPower, com design atrativo, disruptivo, que atrai muitos os jovens. Outro é aquelas marcas que se conectam por experiência. E tem as marcas que realmente fazem a transformação positiva, que combatem trabalho escravo, infantil. Em menor grau aparecem as promoções e descontos. Não é que não seja importante: as pessoas amam promoções e descontos, mas entre as marcas que eles admiram, os outros pontos são mais valorizados.”

No varejo, as pessoas esperam muito mais interação virtual nos pontos de vendas presenciais. Um total de 54% dos consumidores quer inovações como lojas autônomas, inteligentes, com atendente virtual. “Tem uma parte importante de tecnologia, mas eles querem que as lojas ensinem a usar os produtos e que o vendedor não queira só empurrar”, explicou a sócia do Mosaiclab, destacando que outra tendência interessante é o live commerce, com venda instantânea em atividades culturais ao vivo.

Nossa empresa será um hub digital de moda e estilo de vida’, diz Flávio Rocha, da Riachuelo

Um consumidor mais empoderado, com mais acesso a crédito e a juros mais baixos. Pequenos varejistas alcançando o mesmo público que os grandes. Esses devem ser alguns dos benefícios diretos das transformações pelas quais o sistema financeiro brasileiro está passando.


As transformações são possíveis, neste momento, por vários motivos. Entre eles, estão o avanço tecnológico e a adoção de novos comportamentos por parte dos consumidores.

“Estamos vendo, hoje, uma mudança muito grande na forma de se fazer negócio. A expectativa é que, com a chegada do Open Banking [sistema financeiro aberto], haja uma diminuição na barreira de entrada de novas empresas no mercado financeiro”, diz o chefe de departamento do Banco Central João Pereira.

Consumidor dono dos próprios dados

Com o Open Banking, os bancos vão compartilhar as informações que têm sobre os clientes com outras empresas, instituições financeiras e lojas, contanto que tenham autorização das pessoas para isso.


A premissa dessa novidade é a de que o consumidor é o dono dos próprios dados, e não mais os bancos. A partir daí, ele poderá comparar produtos e fazer escolhas mais conscientes.


“O cliente do banco será o ‘motorista’ de toda essa jornada. Tendo mais opções, ele poderá se decidir pelo serviço que melhor lhe atender”, afirma Pereira. “Isso sem falar da questão da inclusão financeira. Algumas empresas poderão se dedicar a nichos, a pessoas que hoje não têm acesso ao sistema financeiro. Várias lacunas poderão ser preenchidas.”


O Open Banking já foi implantado em países da Europa e da Ásia e também na Austrália. “O potencial é imenso. Poderão existir comparadores de preços de serviços financeiros, plataformas de aconselhamento financeiro e marketplaces de crédito”, exemplifica o chefe de departamento do BC.


Cadastro positivo e acesso aos ‘sem banc


O presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito Elias Sfeir, cita ainda os benefícios do cadastro positivo, já implementado no País. “Costumamos dizer que o cadastro negativo é um direito do credor e o positivo é um direito do consumidor.”

Por meio dele, os consumidores recebem uma nota de acordo com o comportamento financeiro. Quem paga as contas em dia, por exemplo, tem um “score” maior, e, teoricamente, tem acesso a juros mais baixos na hora de pedir um empréstimo, por exemplo.


O presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito também acredita que, assim como o Open Banking, o cadastro positivo tende a ajudar na inserção, no sistema financeiro, de pessoas que até pouco tempo não tinham acesso a crédito.


Varejo tem papel determinante


Esse público sem conta em banco tem sido, há muito tempo, atendido pelo varejo. A Riachuelo é a maior emissora de cartões private label do Brasil, com mais de 32 milhões em operação atualmente. A empresa também está entre as seis maiores emissoras de cartões com bandeira.


Para o presidente do conselho da Riachuelo, Flávio Rocha, a palavra de ordem é “ecossistema” e o varejo tem um papel determinante a desempenhar. O desafio de atuar no mundo digital, segundo ele, é grande.


“Com esse ‘alinhamento dos astros’ e todas revoluções tecnológicas, vamos ter um maior protagonismo do varejo, que vai ser o epicentro desses futuros ecossistemas. Estamos caminhando para tornar nossa empresa um futuro hub digital de tudo o que diz respeito a moda, estilo de vida, viagem e gastronomia, nessa visão de multiplataforma.”


Assertividade na concessão de crédito


Até por causa disso, Rocha acredita que o modelo de loja tradicional está com os dias contados. “Os ecossistemas chineses são o exemplo da importância da multiplicidade de pontos de contato com o cliente. A experiência da visão simultânea do mundo financeiro com o mundo do consumo é extremamente enriquecedora.”


Segundo ele, a empresa está descobrindo correlações importantes cruzando informações financeiras com histórico de vendas dos clientes. “Quando você tem uma visão multifacetada, existe um aumento exponencial na assertividade da concessão do crédito”, analisa.


Entre os planos da Riachuelo, está também a transformação do site em um marketplace que vai incluir pequenos varejistas. “Vamos dar escala a relevância a eles”, diz Rocha.

Flávio Rocha, Elias Sfeir e João Pereira participaram do painel “Big Bang Financeiro”, apresentado nesta terça-feira (15) no Global Retail Show 2020. O evento, totalmente virtual, tem cobertura em tempo real do portal Mercado&Consumo.

RH virtual: empresas se adaptam ao novo normal nos processos online


O RH deve se tornar mais virtual, digital e automatizado para que todos os varejistas possam fazer contratações inteligentes, otimizar pools de candidatos em tempo real e se adaptar a novos modelos e mudanças na demanda.


Além disso, o cenário da indústria continuará a evoluir. Processos e sistemas de RH eficientes, flexíveis e digitais ajudarão os varejistas a equilibrar com eficácia e segurança. Essas são as expectativas de Kevin Graff, presidente da consultoria empresarial canadense Graff Retail.


Segundo ele, as soluções baseadas em Inteligência Artificial podem tornar mais rápido e fácil para os varejistas recontratar antigos funcionários sazonais para se adaptar às flutuações na demanda e na rotatividade. Para o empresário, “há muito que todos nós sabemos e muito mais que não sabemos sobre o futuro”.


Conexão e interação


A tomada de decisão baseada em fatos vem sendo essencial em tempos de pandemia. “Os humanos são programados para a conexão e a interação social. Isso não existe com muita profundidade online”, analisa.


Questionado se haverá mudanças, Graff diz que sim, mas afirma que, agora, só consegue fazer suposições. “O mais provável é que varejistas de todos os tipos terão de aumentar seus esforços substancialmente em todas as áreas de operação. Com isso, o consumidor vai ganhar novamente”, diz.


Para ele, as vídeo chamadas, embora boas, não substituem as interações olho no olho. “Os humanos são conectados por cabo” afirma Graff. O receio do executivo é que o mundo vivencie um colapso na cultura das empresas no médio a longo prazo. Um modelo híbrido, com um mix entre o home office e o escritório, pode ser o caminho.


Responsabilidade da equipe


Kevin Graff alertou, ainda, sobre a importância do pessoal que está na linha de frente neste momento. Haverá menos tráfego nas lojas por muito tempo, então a única maneira de manter e fortalecer as vendas é aumentar as taxas de conversão e a venda média – e isso recai predominantemente sobre os ombros da equipe.


Portanto, em meio à necessidade de treinamento e protocolos de segurança, está a necessidade de dar à equipe as habilidades e o conhecimento de que precisam para criar uma ótima experiência para o cliente e, por meio desse processo, impulsionar as vendas. “O RH terá de se preparar, encontrar os recursos e colocar a equipe na linha de frente.”


Tinder dos empregos


Com a pandemia, empresas que continuaram contratando tiveram de se adaptar a processos seletivos e entrevistas 100% online. Mas essas opções não surgiram durante a pandemia.


“As empresas costumavam abordar esse modelo somente em uma das etapas do processo seletivo e não em todo ele, como está comum agora’, disse Stephanie Florio, uma das fundadoras da Swob.


Lançada em novembro de 2017 por ela e pelo irmão Alexander e com sede em Toronto, a empresa desenvolveu um aplicativo que permite que alunos procurem empregos de meio período, sazonais e de período integral nos setores de varejo, serviços alimentícios e hospitalidade.


A modalidade de recrutamento inteiramente virtual reúne vantagens, desvantagens, críticas e elogios. Para a especialista, os pontos positivos conseguem superar os negativos. Com relação ao futuro dessa modalidade, Stephanie aposta no crescimento mesmo após a crise.

“A pandemia trouxe muitas mudanças de comportamentos, e as empresas que não se adaptarem perderão competitividade. Por isso, temos observado uma movimentação no universo corporativo para aderir ao que está sendo chamado de novo normal”, analisa.


Dia aposta em venda digital, marcas próprias e franquias para crescer


Os supermercados, junto com as farmácias, foram os únicos estabelecimentos de varejo que não precisaram interromper sua operação física por causa da pandemia do novo coronavírus. Isso não significa que tenha sido uma tarefa fácil garantir a segurança de funcionários e consumidores, o abastecimento dos estoques e as operações de e-commerce. No caso de Marcelo Maia, presidente da rede Dia no Brasil, o desafio foi ainda maior, porque, quando a pandemia começou, ele havia acabado de assumir o cargo em fevereiro.


Em um painel nesta terça-feira, 15, do Global Retail Show, congresso promovido pela consultoria de varejo Gouvêa, o executivo falou sobre como a rede espanhola adaptou sua operação para enfrentar a pandemia. O Brasil, com suas quase 800 lojas, é o segundo maior mercado da rede Dia no mundo, com lojas no estado de São Paulo, em Belo Horizonte e Porto Alegre.


Os supermercados do Dia, por serem menores, tiveram uma vantagem no começo da crise, já que os consumidores estavam preferindo frequentar espaços com menos gente. Nos primeiros meses, a rede percebeu que os clientes iam menos vezes até as lojas, mas gastavam mais por compra. Houve também uma mudança no tipo de produto buscado. Pacotes de arroz de 5 quilos, que não eram comumente comprados, passaram a estar na cesta de compras dos clientes, por exemplo.


A rede também investiu mais em produtos perecíveis, como frutas, legumes e carnes, para tentar ser um ponto único em que o consumidor pudesse fazer todas as suas compras. Juntas, essas estratégias resultaram em um segundo trimestre com alta de 20% nas vendas em relação ao mesmo período de 2019.


Mas só os ajustes no mundo físico não seriam suficientes. Por isso, o Dia decidiu aprender com a experiência digital da rede de supermercados X5, que tem 16.000 lojas na Rússia e também é controlada pelo fundo LetterOne (controlador do Dia desde maio de 2019).


“Apesar de sermos uma loja de proximidades, sabíamos que alguns consumidores não gostariam de sair de suas casas”, diz Maia. Por isso, logo no começo da crise, a rede Dia fez parcerias com aplicativos como o iFood para oferecer seus produtos no canal digital. Nas lojas que entraram no modelo, 50% das vendas chegaram a acontecer pela internet.


Com a urgência resolvida, a rede agora foca no desenvolvimento da integração dos canais de venda. Seu objetivo inicial é usar a rede de lojas como minicentros de distribuição para o e-commerce, aproveitando-se da capilaridade existente. No futuro, os planos são ter um ecossistema completo de alimentação no mundo digital, assim como o X5 tem na Rússia.


Além da estratégia digital, a rede Dia foca também na expansão dos produtos de marca própria para seguir crescendo. Hoje, esse tipo de produto representa 25% das vendas feitas nos supermercados da rede. Isso porque a empresa usa os dados que tem sobre interesses de compra para guiar o desenvolvimento da fórmula e da embalagem dos produtos de marca branca. Até o final do ano, terão sido lançados 1.000 novos produtos da marca do Dia. O objetivo é que esses produtos passem a representar entre 30% e 35% das vendas.

As franquias são o terceiro pilar da rede para o crescimento no Brasil neste ano. Segundo Maia, os franqueados conseguem trazer para a rede um pouco das peculiaridades de cada uma das regiões em que atuam, o que permite um melhor atendimento aos clientes. “As franquias são um grande diferencial competitivo da rede, já que o Brasil tem hábitos alimentares muito distintos”, diz o presidente.


Hoje, a rede tem o modelo tradicional de franquia, em que o candidato tem de fazer um investimento de 300.000 reais para montar a loja e depois precisa comprar o estoque mínimo de produtos. A outra opção é o franqueado montar a loja sozinho, mas ter o estoque integralmente controlado pela franqueadora, o que reduz os custos.


Lu, Alexa e outras imagens e vozes que estão revolucionando o varejo


O comércio eletrônico passou por vários momentos no Brasil nas últimas duas décadas. Primeiro, houve a necessidade de os consumidores aprenderem a usar computador e mouse para fazer compras. Ao longo do tempo, cada vez mais categorias de produtos passaram a ser comercializadas online. Hoje, grande parte das compras é feita por meio de um clique no celular.


Uma nova era teve início de uns anos para cá, em que a voz tende a ser a grande protagonista. A Alexa, da Amazon, a Lu, do Magazine Luiza, e a Bia, do Bradesco, são exemplos de “atendentes” virtuais que já fazem parte da vida de muitos brasileiros e têm grande importância na rotina deles.


“Até o final de 2020, mais de 50% das pesquisas de compra serão feitas por comando de voz”, afirma Caio Camargo, sócio-diretor da Gouvêa Tech. Ele cita dados que mostram que, hoje, um a cada três americanos já possui sistemas de inteligência de voz; na China, a proporção é de um para dez. “A vantagem é que o uso da voz é mais intuitivo”, afirma.


Interações personalizadas e inteligentes


Essa nova realidade só é possível por causa do advento da inteligência artificial e da computação em nuvem. Isso permite que as experiências sejam cada vez mais inteligentes e personalizadas, afirma Ricardo Garrido, diretor-geral da Alexa, da Amazon.


A voz da Alexa foi apresentada em primeira mão em 2019 durante o Latam Retail Show. Atualmente, o equipamento já é usado no dia a dia de muitos brasileiros. “É um erro pensar que esse dispositivo é restrito a um público específico. A Alexa funciona muito bem nos extremos, tanto entre as crianças, que usam para pedir músicas, por exemplo, quanto entre os idosos, que usam para apagar a luz sem precisar sair do lugar.”


Os brasileiros que assinam o serviço Amazon Prime já podem, também, fazer compras pela Alexa. O primeiro passo é ditar os produtos em falta para serem colocados numa lista. Depois, é só ouvir os preços e condições de pagamento oferecidos e, ao fim, dá para concluir a compra no site.


Influencer com 20 milhões de seguidores


Outro grande case de atendimento virtual, esse totalmente nacional, é o da Lu, do Magazine Luiza. A personagem nasceu em 2003 e passou por muitas mudanças até, em 2014, se tornar um dos principais diferenciais da empresa e porta-voz da marca em todos os canais: lojas físicas, e-commerce e propagandas.


“Hoje, a Lu tem mais de 20 milhões de seguidores e é considerada uma influenciadora digital, fazendo com que a Magalu seja a marca com maior engajamento em várias plataformas”, conta Pedro Alvim, gerente de redes sociais e marketing de influência da empresa.


Foi o Magazine Luiza, também, que primeiro se atentou à necessidade de promover acessibilidade no próprio site. Para isso, em 2014 lançou mão Hand Talk, plataforma que traduz simultaneamente conteúdos em português para a língua brasileira de sinais e que tem a própria estrela: o Hugo.


O personagem traduz automaticamente textos e áudios para a Língua Brasileira de Sinais e para a Língua Americana de Sinais por meio de inteligência artificial. “Para as pessoas sem deficiência, a tecnologia deixa as coisas mais fáceis. Para as que têm deficiência, torna as coisas possíveis”, diz o CEO da Hand Talk, Ronaldo Tenório.


Inclusão, diversidade e acessibilidade


Ele destaca que as bandeiras de inclusão e diversidade são cada vez mais importantes para as empresas, mas a maioria dos sites ainda não conta com esse tipo de facilidade. E ferramentas do tipo não conquistam apenas quem precisa delas no dia dia. “A mãe de um garoto surdo que compra na Magalu também vai querer usar a marca.”

Para ele, o futuro de Hugo, que acaba de ganhar uma “colega”, a Maya, está no reconhecimento também de movimentos.


Os desafios para os próximos anos


Os sistemas, no entanto, ainda têm também muitos desafios pela frente. “O principal é fazer com que a o usuário fale com a Alexa da mesma forma que conversa com um amigo”, diz Garrido. Para Alvim, trabalhar com mais inteligência com a enorme quantidade de informações à disposição é outra forma de melhorar o serviço.


Ricardo Garrido, Ronaldo Tenório e Pedro Alvim participaram, nesta quarta-feira (16), de um dos painéis do Global Retail Show 2020, atendendo ao convite de Caio Camargo. O GRS 2020 é o maior evento digital de varejo e consumo do mundo e que termina no próximo sábado.

Entender o cliente é fundamental para a tomada de decisões


Paulo Camargo, presidente do McDonald’s Brasil, participou nesta terça-feira (15) do Global Retail Show. Durante o painel que abordou o digital franchising, o executivo destacou a importância das pesquisas e ferramentas digitais para garantir um melhor entendimento do consumidor e da gestão colaborativa com a participação dos franqueados e funcionários nos processos de tomada de decisões.


Nos últimos anos, a empresa tem atuado dentro do conceito McEvolution, pensado para garantir que o McDonald’s evolua junto com o consumidor. Por isso, os restaurantes da rede passam por um processo de modernização, com instalação de totens de autoatendimento e novo projeto arquitetônico.


Mudanças no atendimento, mais informal e sem um script pré-definido para os funcionários, bem como uniformes que valorizam a individualidade, também fazem parte desse novo momento. E os resultados já aparecem. A rede conquistou queda de 50% nas taxas de turnover e absenteísmo entre 2015 e 2019 e crescimento de 23% na taxa de satisfação dos clientes de 2016 para 2020 (TopBox).


Futuro dos pontos de venda


Já o CMO da rede, João Branco, que também participou do evento, em um painel sobre o futuro dos pontos de venda, destacou algumas iniciativas da marca que surgiram justamente da proximidade com o consumidor.


Os já tradicionais quiosques de sobremesa do Méqui são exemplo disso. O modelo de negócio, antes inédito nos outros mercados em que o McDonald’s atua, foi desenvolvido no País e atualmente conta com mais de 2 mil pontos.


O executivo também trouxe dois importantes cases em que as lojas se tornaram pontos de comunicação. A mudança das fachadas para apelidos carinhosos da rede como Méqui e Mecão e o lançamento do Méqui 1000, a milésima unidade, localizada em um casarão histórico na Avenida Paulista.


Por fim, ambos destacaram a importância do digital para continuar trazendo soluções para os consumidores. Prova dessa aposta são: Méqui Zap, canal de atendimento automatizado via WhatsApp da marca e o Méqui Sem Fila, funcionalidade do app do McDonald’s que permite fazer o pedido sem contato, a caminho da loja.


Marcas unem inovação e história para se comunicar com os clientes nas lojas


As lojas físicas vinham se reinventando muito antes da pandemia da Covid-19 e, cada vez mais, têm exercido o papel de plataforma de comunicação com os clientes. Para fazer isso de forma eficiente, além da tecnologia avançada, elas têm usado também a história das marcas para se aproximar do consumidor.


“Costumamos dizer que o Méqui 1000 não é um restaurante, é uma propaganda em que você entra para comer”, diz o CMO da rede McDonald’s, João Branco. Ele se refere à loja-conceito inaugurada no ano passado em um casarão antigo e preservado da Avenida Paulista, em São Paulo.


Segundo Branco, existe um exercício constante de se pensar para que servem os espaços físicos. “O que a gente entende que o cliente só conseguiria fazer num restaurante?”, questiona. Para ele, a resposta é a experiência. “Nós não vendemos só o Big Mac. Nós vendemos bons momentos.”


Telão de LED e urna para embalagens usadas


No caso da rede brasileira O Boticário, é também uma loja-conceito, localizada em Curitiba, que dá o tom de como a empresa quer ficar marcada na mente do consumidor. O espaço reúne o que existe de mais moderno em termos de design e tecnologia.


“As vitrines são altas e, dentro da loja, um telão de LED traz novidades, lançamentos e interage com os clientes”, explica o diretor de comunicação Gustavo Ferreira. A loja não tem caixas e o consumidor pode finalizar o processo de compra totalmente pelo celular.

A loja-conceito também mostra a sintonia da marca com valores cada vez mais importantes para os consumidores, como o cuidado com o meio ambiente e o gosto pela customização. Numa área específica, o cliente pode personalizar caixas e fitas de presente; em uma urna, pode depositar embalagens usadas de cosméticos.


“Ao mesmo tempo, nós resgatamos nossa história, com prateleiras que remetem ao laboratório antigo, à botica, que foi como a marca nasceu”, diz Ferreira. “A loja tem de facilitar a jornada do cliente, mas também tem o papel de causar encantamento.”

João Branco e Gustavo Ferreira foram alguns dos painelistas do terceiro dia do Global Retail Show, maior evento digital de varejo e consumo do mundo. O GRS 2020 vai até o próximo sábado (19)

O varejo vai depender menos das ‘maquininhas’, diz presidente da Cielo


A indústria de pagamentos precisa estar alerta ao comportamento do consumidor para estabelecer novas propostas, transformando as soluções oferecidas atualmente. A análise é do presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, que participou, na manhã desta quinta-feira (17), do Global Retail Show 2020.


Atualmente, seis milhões de clientes já usam meios de pagamento digital para fazer compras. E este número, segundo Cafarelli, foi acelerado principalmente pela pandemia. “A pandemia tornou a jornada de consumo mais digital e mudanças as precisam acontecer nas empresas. Precisamos olhar para a frente, ou seja, para o cliente do meu cliente.”


Visão para o futuro


A Cielo aposta que o futuro dos pagamentos no varejo será um modelo híbrido entre os métodos tradicionais físicos e os digitais. Soluções como os links de pagamento, que já existiam antes da pandemia, passaram a ser usadas agora por necessidade. A empresa acredita que com a retomada do comércio presencial, a tendência é que os varejistas incorporem a tecnologia no dia a dia dos seus negócios.


Essas mudanças nos meios de pagamento podem ser ainda mais aceleradas com a chegada da tecnologia de quinta geração de internet móvel, o 5G. “Acredito que, em um curto espaço de tempo, chegaremos lá”, diz Caffarelli.


A longo prazo, o executivo acredita em uma mudança mais profunda dos pagamentos, com o fim do ponto de venda como conhecemos hoje. Um passo que a Cielo dá em direção a esse futuro é a parceria com o Facebook para oferecer o WhatsApp Pay, que permitirá aos brasileiros enviar dinheiro e realizar pagamentos usando a infraestrutura da rede social, como acontece com o WeChat na China hoje.


Mas isso será o fim do dinheiro de papel? Caffarelli acha que não. Em momentos de crise, como a pandemia, as pessoas tendem a usar mais papel moeda – no Brasil, o pagamento do auxílio emergencial pelo governo favoreceu essa tendência.


Para o executivo, enquanto houver uma grande informalidade na economia nacional, será impossível falar sobre o fim do dinheiro em espécie no Brasil. “É preciso se envolver com o governo para tentar resolver essa questão do ecossistema antes de tentarmos aumentar a participação dos pagamentos digitais”, afirma Caffarelli.


Movile mira em inteligência artificial e startups no pós-pandemia



A pandemia acelerou o processo de digitalização do mercado brasileiro. O e-commerce e as empresas de tecnologia foram grandes beneficiados desse salto de transformação digital que o período de isolamento social provocou. Mas qual serão as tendências do pós-pandemia? Para discutir esse assunto, o Global Retail Show convidou Patrick Hruby, presidente do grupo Movile, Alexandre Frankel, presidente da Housi e da Vitacon; e Márcio Kumruian, fundador da Netshoes.


Em março de 2020, no começo da pandemia, Hruby assumiu a presidência da Movile, dona de empresas como iFood e Playkids, após o fundador Fabricio Bloisi deixar o cargo para se tornar presidente do iFood. O executivo, que antes trabalhou em empresas como Google e Facebook, chegou com a missão de fazer o grupo atingir a vida de 1 bilhão de pessoas.


Futuro da inovação


Pensando no futuro da inovação no Brasil, o executivo faz duas apostas: inteligência artificial e investimentos em startups. Suas previsões com a “bola de cristal” são baseadas no processo que o Brasil passou na década de 2010, com a popularização dos smartphones, chegada de negócios inovadores como Uber e Airbnb, e a entrada de empresas tradicionais, como ViaVarejo e Magalu, na briga pelo digital.


O presidente da Movile acredita que o próximo passo para o mercado brasileiro será no caminho da inteligência artificial, tecnologia já popular nos Estados Unidos e China. “O Brasil ainda está engatinhando nessa área, falta investimento”, afirma Hruby. Com o tempo, ele imagina que o setor vai se consolidar no país, causando mudanças nas estruturas de trabalho atuais. Os profissionais especialistas em dados e IA serão cada dia mais necessários para as companhias, na visão dele.


Outra tendência que deve se fortalecer com o passar do tempo são os investimentos em startups, segundo o executivo. Com a taxa básica de juros do país cada dia mais baixa, Hruby acredita que mais e mais investidores estarão dispostos a investir em empresas de inovação em busca de um retorno maior.


CEO da Petz destaca 6 lições de liderança em tempos de pandemia


A pandemia forçou as empresas a repensar suas formas de trabalho. O home office, antes temido, se mostrou muito benéfico para diversas companhias, que tiveram taxas de produtividade maiores durante o período de isolamento social. Mas como ficam as lideranças nesse novo contexto de trabalho? Sérgio Zimerman, fundador e presidente da rede de pet shops Petz, falou ao Global Retail Show, evento promovido pela consultoria Gouvêa, sobre o que aprendeu durante a pandemia.


Leia abaixo os seis principais aprendizados do executivo:


1 – Imagine o futuro

Em momentos de crise, o presidente da Petz segue uma lição que aprendeu lendo os livros do escritor americano Dale Carnegie: aceite o pior para que você consiga liberar sua criatividade para pensar em soluções. Por isso, quando a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil, o executivo rapidamente imaginou que todas as lojas da rede seriam fechadas e o faturamento do grupo viria a zero. Com isso, conseguiu agir rápido. A primeira decisão que tomou foi reforçar o caixa da companhia e garantir a todos os funcionários a manutenção de seu emprego. “Não seria justo que as pessoas perdessem seu emprego por causa de uma pandemia com data para começar e terminar”, afirma o executivo. Outra preocupação sua foi atencipar os pagamentos para pequenos fornecedores, garantindo a manutenção da rede de suply da Petz.


2 – Abrace as mudanças

“Não é o mais forte que vence na vida, mas o mais adaptável”, diz Zimerman. O executivo defende que as empresas tenham a cultura de que a única certeza é a mudança. Para ele, as mudanças são oportunidades das companhias se reinventarem e se diferenciarem no mercado. “É em time que está ganhando que se mexe. Quando se está bem é o momento de fazer mudanças e testes, porque se der errado você não prejudica a empresa”, afirma.


3 – Aprenda rápido

Outra lição importante que o presidente da Petz tirou da crise foi saber aprender rápido. “Na pandemia, não dava para fazer pesquisa de mercado ou contratar consultoria. Simplesmente colocávamos as ideias em prática”, diz Zimerman. Para o presidente, o erro é fundamental para a construção de uma companhia boa. O que as empresas previsam evitar é a repetição deles.


4 – Orçamento focado em valores, não no custo

Zimerman afirma que a pandemia fez a Petz colocar seus valores como empresa acima de suas preocupações com os custos. “Não era a hora de fazer a conta de quanto custava proteger seu funcionário ou consumidor. Pensar no curto prazo nos cobraria um preço enorme no longo prazo”, afirma.


5 – Tome decisões em tempo real

Em um momento que as diretrizes das autoridades mudam constamente, as empresas precisam saber tomar decisões rapidamente. No caso da Petz, Zimerman conta que a diretoria transformou as reuniões semanais em diárias para facilitar a tomada de decisões. Quando algo não funcionava, eles conseguiam repensar e mudar logo.


6 – Divergir para convergir

O executivo também acredita que é enriquecedor estimular grupos de discussão a divergir. “Uma vez que os dois lados esgotam os argumentos, um consenso é formado e a companhia toma uma decisão de melhor qualidade”, diz o presidente da Petz.


Pandemia guia transformação de rede dona das marcas Pirajá, Bráz e Lanchonete da Cidade



A pandemia caiu como uma bomba para a Cia. Tradicional de Comércio. De uma hora para outra, a rede, que abriga entre diferentes nomes cerca de 40 bares e restaurantes, viu-se obrigada a fechar as portas, sem data para reabrir casas como Original, Pirajá, Astor, SubAstor, Bráz e Lanchonete da Cidade, parte da paisagem boêmia paulistana.


“Ficamos absolutamente atônitos e assustados”, admitiu um dos cinco fundadores da CiTC, Ricardo Garrido, que interrompeu um período sabático em Nova York. “Voltei para ajudar meus sócios a pensar como seria o futuro dos bares e restaurantes”, disse ele em apresentação nesta semana no Global Retail Show, evento 100% online dedicado a debater a retomada do varejo.


A primeira reação foi de perplexidade. “Bares e restaurantes sempre se associaram a um conceito de espaço físico. Uma das máximas desse setor é a ‘location, location, location’. E assim a gente conduziu nosso negócio ao longo de 25 anos: a de ter um lugar extremamente atraente para transmitir toda a experiência gastronômica com o conceito de cada marca.”


O resultado, segundo ele, é uma tentativa de reinvenção. “O que está acontecendo é que esses restaurantes nunca mais abrirão da mesma forma como foi no passado. A maioria terá serviço de delivery associado”, pontuou.


As casas tendem a ser pontos de conexão entre o consumidor e a expertise das marcas da Companhia, prevê Garrido. “Com algumas marcas, a gente mal pensava em entregar em delivery porque pensava que o consumidor não teria interesse em coisas mais elaboradas; só em pizza ou hambúrguer.”


Com a demanda, a CiTC precisou se adaptar. Uma das unidades do ICI Brasserie nos Jardins virou uma dark kitchen para entregar pratos de três marcas (Astor, Ici Brasserie e a Bráz Trattoria) combinadas a partir de um só pedido. “Foi uma coisa meio óbvia que a gente não pensava em fazer, fez rapidamente e teve o mesmo sucesso. Essa casa conseguiu fazer o mesmo faturamento de antes e só operando em delivery.”


Uma das novidades foi a produção e entrega de coquetéis engarrafados com todos os apetrechos e até gelo. Também passaram a entregar chope gelado. Criaram ainda a Bráz Veloce, uma pizza pré-assada e resfriada para assar no fogão que pode ser levada no forno da própria cada do consumidor. “São produtos que saem da pandemia com muita força e produtos que a gente pretende ampliar e manter.”


Uma das lições, segundo Garrido, é que o consumidor, ainda temeroso de frequentar as lojas mesmo depois do início da flexibilização, em julho, procura cada vez mais a experiência de um restaurante mesmo estando em casa. “Nossa visão é que o nosso modelo de negócio está em transformação. Não é fácil trocar o pneu com o carro em movimento. A gente precisa ler esse cliente, entender e testar vários canais de conexão com esse cliente”, explico.


“A gente tem uma oportunidade. O futuro vem sendo puxado pelo consumidor. Essa reflexão pode fazer com que relação seja mais positiva e mais produtiva depois que gente estiver vivendo uma vida mais normal.”


Experiência do cliente deve estar no centro da estratégia


Varejo e experiência de eventos estão simbioticamente ligados e o olhar do entretenimento pode e está sendo cada vez mais aplicado no setor varejista. Luis Justo, CEO do Rock in Rio fez um paralelo entre os dois mundos durante painel sobre o futuro da experiência do consumidor no quarto dia do Global Retail Show.


Segundo Justo, cada vez mais esse olhar sobre a construção de uma experiência deve ser pauta, especialmente pelo olhar da experiencia física do varejo. Sob esta ótica, o empresário trouxe cinco insights sobre customer experience que ele chamou de retailtainment (união do entretenimento com o varejo).

  • Entretenimento sempre foi omini e o componente físico sempre construiu a experiência;

  • O digital não vai acabar com o físico;

  • E-Shoppings Festivals onde o live streaming se torna uma grande plataforma de conteúdo para o e-commerce;

  • Entrada no universo de games. O Fortnite está vendendo US$ 3bi em roupas sem pregar um botão com a comercialização dos seus produtos, ou seja, o universo dos games é um território onde o conteúdo tem um crescimento relevante e os varejistas precisam olhar para esse canal;

  • Proposta de valor: experiência do cliente como centro da estratégia.

De acordo com Justo, a estratégia do Rock in Rio se desenvolve a partir do propósito da marca, que ele chama de ambição vencedora. Para o CEO, o Rock in Rio se consolida como uma experiência para o público, que não vai à Cidade do Rock apenas para assistir aos shows, mas para passar o dia, conhecer novas atrações, confraternizar e fazer parte do universo que a marca estabeleceu.


“Cada vez mais, o formato vai evoluir. Queremos que o Rock in Rio seja conhecido como um parque temático, um evento de entretenimento em todas as suas vertentes”, comenta.


Força da marca


Seja investindo no e-commerce, oferecendo um produto novo ou simplesmente se posicionando de maneira plural, a Pepsico é uma dessas marcas que parou para ouvir seus consumidores, por isso, vem colhendo grandes frutos. Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da empresa, acredita que, mais do que nunca, é o momento de abrir as portas para ouvir e ofertar exatamente aquilo que a sociedade deseja, uma vez que o mundo e seus consumidores não devem manter suas vontades atuais.


Com atenção constante aos posicionamentos e aos desejos imediatos dos consumidores, Daniela revela que a única certeza é a importância de estar aberto para ressignificar. “Estamos tendo que ressignificar muitas coisas nas nossas vidas e com a forma de fazer negócio não é diferente”, finaliza.


De ouvidos no consumidor


Daniela Cachich, vice-presidente de Marketing da Pepsico anunciou, durante o Global Retail Show, a volta dos tazos depois de 15 anos para o portfólio da empresa. A parceria será entre Elma Chips e Pac-Man, que este ano comemora 40 anos no Brasil. A executiva disse que o Brasil é o quarto maior mercado de games com 66 milhões de jogadores e o Pac-Man é o jogo número 1 da família, por isso faz muito sentido juntar os dois produtos. “Em breve os pontos de vendas terão as unidades de Elma Chips com 40 variedades de tazos com QR Code para que as pessoas possam acumular vidas e levarem esse bônus para o jogo”, explicou.


Penúltimo dia do GRS 2020 tem Mulheres do Brasil e debates sobre propósito e novas tecnologias

O Global Retail Show 2020 chega, nesta sexta-feira (18), ao penúltimo dia. Entre os destaques, estarão debates sobre novas tecnologias e a importância do propósito, além da participação de integrantes do grupo Mulheres do Brasil.


Logo pela manhã, tecnologias que têm surgido como solução para o varejo serão tema de um painel comandando por Caio Camargo, sócio-diretor da Gouvêa Tech.

No começo da tarde, a migração da indústria para o varejo dará a espaço a uma provocação: isso é negócio ou apenas marketing? A mediação será de Alexandre Machado, sócio-diretor da Gouvêa Consulting.


Questões relacionadas à liderança e à crescente busca por propósito também estarão na pauta do dia, assim como os legados de 2020.

A retomada do varejo na visão do grupo Mulheres do Brasil será tema de outro painel, que contará com a presença de Luiza Helena Trajano, Maria Fernanda Teixeira e Rosemary Schettini.

As mudanças no comportamento do consumidor que impactaram no varejo


O brasileiro está lavando mais roupas, cozinhando mais e realizando mais reformas em casa. Esses foram alguns dos efeitos da pandemia no comportamento do consumidor, que se refletiram diretamente, também, nas vendas das empresas.


Em painel realizado nesta semana no Global Retail Show 2020, a head de Consumer Insighs da Electrolux, Natália Calixto, citou uma pesquisa que mostra que 70% dos brasileiros passaram a fazer mais tarefas domésticas nos últimos meses.


“Aspectos como praticidade e funcionalidade voltaram a ganhar espaço. As vendas de aspiradores de pó duplicaram, mesmo com as lojas fechadas”, afirma.


Além dos aspiradores – nesta categoria, o destaque especial foi dos robôs -, fritadeiras elétricas e purificadores de água também tiveram as vendas impulsionadas. Cerca de 30% dos brasileiros compraram algum eletrodoméstico desde o início da pandemia.


Mais roupa lavada


O hábito de cozinhar aumentou 34% nesses meses e o de limpar a casa, 33%. Logo em seguida, apareceram outras necessidades associadas à higiene, grande preocupação em tempos de coronavírus: 29% passaram a lavar mais louça e 23%, a lavar mais roupa.

Durante a pandemia, muita gente também decidiu colocar em prática planos antigos que tinham de reformar a casa ou alguns móveis, e que não tinham virado realidade antes por causa da falta de tempo.


“Um a cada cinco consumidores fez alguma melhoria em casa. Isso porque, se antes as casas eram usadas praticamente apenas como dormitórios, na pandemia, ela passou a ter mais atenção”, diz Natália Calixto.


Mega conveniência

O consumidor dando um novo significado ao lar também foi uma das impressões citadas pela co-fundadora da Shop2gether, Ana Isabel de Carvalho Pinto. Para ela, nos últimos meses os consumidores passaram, ainda, a valorizar a mega conveniência.

A Shop2gether pertence ao ICOMM Group, primeiro grupo de moda brasileira digital premium e de luxo do País. Neste ano, a empresa lançou um braço logístico próprio. Hoje, quem mora na capital paulista pode receber a compra no prazo de até seis horas.


Violência contra a mulher também é assunto das empresas, diz Luiza Helena Trajano


A cada duas horas, uma mulher é assassinada no Brasil. O dado consta do Atlas da Violência 2020, que foi divulgado em agosto, mas traz números de 2018. Neste ano, outras pesquisas já apontam para o aumento da violência contra a mulher por causa da pandemia de Covid-19.


Esse é um assunto que, se ainda não está, precisa entrar de vez no radar das empresas, alerta Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, que reúne mais de 64 mil empresárias.

Durante painel no Global Retail Show 2020, nesta sexta-feira (18), ela contou como decidiu envolver o negócio nessa causa.


“Um dia eu estava ocupada numa gravação e, quando saí, vi que havia três ligações não atendidas no meu celular. Era do nosso chefe de segurança. Liguei de volta e ele disse que a gerente se uma loja, uma mulher de 37 anos, tinha sido morta com um canivete pelo marido em casa. Ela trabalhava há 17 anos na empresa.”


‘Vamos meter a colher’


Luiza Helena percebeu a aflição de familiares e colegas de trabalho que se culpavam por não terem conseguido evitar a tragédia. “Eles perguntavam: como não vi que isso estava acontecendo com ela?”


Foi desse caso que surgiu, na empresa, a campanha “Vamos meter a colher, sim”, em agosto de 2017. Um serviço de denúncia sobre violência doméstica também pode ser acessado pelo aplicativo Magalu. Agora, na pandemia, as redes sociais da marca reforçaram a ferramenta.


“Convido meus colegas a falar sobre a violência contra a mulher. Quando a empresa faz isso, o homem começa a respeitá-la, porque sabe que ela está protegida”, diz Luiza Helena.

Com base na própria experiência, o Magazine Luiza criou uma cartilha com direcionamentos para as empresas interessadas no tema. Sodexo, Avon e Natura são exemplos de companhias que desenvolveram ações.

Mulher se sente segura no trabalho


“A gente sempre achou que a violência fosse uma coisa muito distante da gente. Mas, se existe uma coisa que é democrática, é a violência doméstica. Ela não escolhe classe social”, afirma Elizabete Scheibmayr, líder do comitê de combate à violência do grupo Mulheres do Brasil.


Como o trabalho é o local em que as mulheres passam a maior parte do tempo, as empresas têm percebido a importância de se preocupar com isso. Às vezes é justamente no trabalho que a mulher se sente mais segura”


Ela também é responsável por questões relacionadas à igualdade racial. “O grupo permite um grande aprendizado porque existe uma diversidade muito grande de pessoas e pensamentos e isso faz com que todos cresçam.”


Pandemia e a importância do SUS


Além do combate à violência doméstica, o Mulheres do Brasil, que foi criado em 2013, levanta outras bandeiras, como a da diversidade e a do impacto social.

A saúde pública é foco de um comitê, liderado pela médica infectologista Glória Brunetti. Para ela, a pandemia fez com que, finalmente, o Sistema Único de Saúde brasileiro ganhasse protagonismo.


“Todos nós, em qualquer viagem, podemos sofrer um acidente e parar em um hospital público. Não importa se você tem um plano de saúde ou não, você vai passar inicialmente pelo SUS. Por isso, devemos pensar que é importante para todos que os postos, as ambulâncias e os hospitais estejam equipados.”


Luiza Helena Trajano compara o SUS a uma empresa. “É o melhor sistema de saúde do mundo, mas precisa de gestão.”


Professores e tecnologia


A educação é outra preocupação do grupo. E a líder do comitê da área, Rosemary Schettini, também destaca o esforço feito pelos profissionais nos últimos meses.


“A Covid-19 tirou um véu de cima da educação. Nós, professores, não sabíamos lidar com tecnologia. A gente aprendeu e não parou. Os professores estão fazendo material, usando o celular, fazendo de tudo para que a aprendizagem não seja perdida”, diz.


Pesquisa FGV: varejo brasileiro prevê maior concentração e menor rentabilidade

Para 57% dos varejistas brasileiros, a concentração de mercado no setor deverá aumentar nos próximos três anos, ao passo que a competitividade deve aumentar para 79% deles, segundo levantamento feito pela FGV com 529 executivos de varejo em todo o país.


Como consequência desse movimento, 45% dos ouvidos acreditam que a rentabilidade do segmento deverá diminuir, enquanto que, para 25%, ela pode aumentar.


Para Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da Gouvêa um dos organizadores do levantamento, essa percepção é resultado em parte da dificuldade de pequenas e médias empresas em obter crédito, o que se acentuou durante a pandemia.


“Por mais esforço que tenha havido [por parte do governo] para liberar crédito, pequenas e médias empresas demoraram para receber os recursos e o receberam parcimoniosa, o que aumenta a vantagem de quem já era maior”, afirma ele.


A disseminação dos marketplaces de grandes varejistas, tendência que foi consolidada nos últimos meses, também pode reforçar esse efeito, visto que a informação sobre os consumidores fica consolidada com as empresas que operam as plataformas.


A percepção dos dirigentes de empresas varejistas também é de que os efeitos da crise devem permanecer pelos próximos anos: somente 32% dos entrevistados acreditam na possibilidade de que a renda do brasileiro aumente até 2023.


Apesar da discussão sobre a reforma tributária estar em andamento no Congresso, a maioria dos empresários do segmento vê como improvável a aprovação de um texto que simplifique a burocracia. A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de agosto e 8 de setembro e apresentada durante o Global Retail Show.


“Sentimos que há o temor grande [do empresariado] de que se houver uma reforma tributária antes da administrativa, vamos perenizar um estado sobrecarregado com alta carga tributária”, diz Gouvêa.


Embora preveja o aumento da competitividade, o setor acredita que haverá menor internacionalização no varejo.


“As grandes varejistas estrangeiras que não têm presença no Brasil tendem a não entrar no país agora, em meio à crise. Pelo contrário, a maior do mundo [Walmart] saiu do país. Isso pode mudar daqui a um ano porque mercado consumidor brasileiro é grande e relativamente jovem”, finalizou o empresário.


Varejistas devem encarar a pandemia como uma oportunidade, sugerem especialistas


Israel tem uma combinação de três coisas: grande problema, solução para o problema e execução dessa solução. É assim que Mário Fleck, partner da Acnext Investimentos, define a nação. O Global Retail Show reuniu especialistas para um painel sobre o país e sua inovação nesta manhã (18).


Michel Abadi, gerente parceiro da Maverick Ventures Israel, um importante fundo de investimento em Israel, disse que para os israelenses o fracasso é uma opção. Em sua apresentação, o especialista comentou que 90% das startups do sistema operacional falham e 10% delas, provavelmente, irão acabar. Ainda segundo ele, a cultura israelense de startups considera o fracasso um alicerce útil – talvez até necessário – para o sucesso. “Em Israel se ouve muito aprender a falhar ou falhar em aprender”, contou.


Abadi citou exemplos como o inventor do pendrive, Dov Moran, que investiu milhões no desenvolvimento do menor smartphone do mundo em 2007 – o mesmo ano em que a Apple lançou o iPhone; Micha Kaufman, fundadora da Fiverr, que teve três mal sucedidas e a Cyota, que gastou em três anos milhões em cartões de crédito de uso único que ninguém acabou usando.


As startups de Israel são ativos estratégicos para gigantes multinacionais, uma vez que essas empresas compram a tecnologia local por um valor altamente negociado, muitas vezes antes que uma tração substancial seja alcançada.


Michel explicou que a nação startup sonha com grandes IPOs, mas é engolida por fusões e aquisições. Nas duas décadas passadas, as empresas israelenses levantaram apenas US$ 10 bilhões em Wall Street, em comparação com os US$ 380 bilhões como parte das fusões e aquisições – 2019 viu 138 empresas israelenses saindo do país, sendo 122 delas por fusões ou aquisições avaliadas em 21,7 bilhões no total.


Adaptar a oferta em tempos de crise


O executivo disse que a primeira reação diante da crise é baixar o custo, pensar de maneira rápida e, muitas vezes, trocar de produto – comportamento muito comum entre os israelenses. Segundo ele, com o campo mais vazio, há menos espaço para competição. Adaptar a oferta à realidade atual e repensar quais ativos a empresa tem em relação ao consumidor são outros pontos a se olhar em momentos delicados. Abadi disse que é “preciso ser proativo e não esperar pelas oportunidades” e completou: “Momentos após as crises são os melhores momentos para investir. Eles servem para preencher o espaço que outros investidores estão saindo.”


Varejo físico com toque digital


A WalkOut, que tem como CEO Assaf Gedalia, fornece soluções de software de checkout automatizado baseado em Inteligência Artificial para varejistas offline. A empresa oferece um carrinho de compras inteligente que utiliza técnicas de aprendizado profundo e visão computacional para detectar e identificar produtos por meio de câmeras instaladas nos carrinhos.


Essa tecnologia permite que os clientes movam os itens no carrinho de compras e saiam das lojas físicas sem atrito. Maior precisão, menor investimento por parte dos varejistas e experiências fantásticas para as duas pontas, cliente e empresa”, explica Gedalia.


Um grande exemplo disso é a experiência que a Amazon Go proporciona ao público. Toda sua inovação embarcada tem colocado muita pressão nos varejistas e o distanciamento social, por conta da pandemia, é outro fator que tem impulsionado o comportamento e a busca dos consumidores por alternativas que n]ao dependam interação nas lojas. “As pessoas ainda estão com medo e isso é um ponto de atenção a ser considerado quando pensamos na jornada do consumidor nos pontos físicos”, explicou.


Impactos da pandemia


Houve muita incerteza quando a pandemia começou e com o passar do tempo, as pessoas se adaptaram ao novo normal. Os varejistas mais inovadores olham para essa pandemia como uma oportunidade para se fortalecerem. “Quanto mais inovadores e com pensamento antecipado para o futuro, melhor eles terão resultados e irão transformar esse desafio em uma oportunidade”, disse.


TikTok e Fortnite indicam novas tendências de consumo


A pandemia do novo coronavírus acelerou a digitalização dos meios de pagamento. Sem a possibilidade de ir até uma loja física, os consumidores e empresários passaram a experimentar links de pagamento digitais e ferramentas de e-commerce. Para discutir as transformações nos meios digitais de pagamento, o presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, participou de um painel do Global Retail Show, evento promovido pela consultoria Gôuvea, nesta quinta-feira, 17.


O executivo afirmou que seis milhões de clientes da empresa já utilizam meios de pagamentos digitais para fazer compras. Esse número foi acelerado pela pandemia, trazendo para 2020 uma realidade que estava prevista para 2025. De acordo com Caffarelli, a chave para a Cielo continuar relevante nesse cenário de transformação digital acelerada é oferecer soluções que atendam aos desejos dos clientes dos seus clientes.


Para o presidente, a rede social chinesa TikTok e o jogo americano Fortnite, da Epic Games, são dois fenômenos que precisam ser acompanhados de perto pelo fato de terem conseguido conquistar uma legião de fãs em pouco tempo.


“Entender o consumidor final e o que ele quer nos ajuda a trabalhar com o varejo da forma certa”, disse o executivo. Para ele, a indústria de meios de pagamento precisa estar atenta às mudanças de comportamento para conseguir antecipar soluções que se adequem às novas necessidades dos clientes.


Digitalização dos meios de pagamento impulsiona vendas no varejo

A tecnologia, como bem sabemos, impulsiona a inovação em qualquer área e não poderia ser diferente no setor de meios de pagamento. A Payscout, um provedor global de processamento de pagamentos que opera em seis continentes, está listado como a principal empresa com cultura em meios de pagamento digital no mundo. Seu CEO, Cleveland Brown, disse nesta manhã (17) que uma nova forma de fazer negócios e relações econômicas a partir do comércio social é uma alternativa que o mercado precisa voltar sua atenção.


Brown, assim como muitos já disseram, comentou que a pandemia acelerou a mudança do digital, com isso, foi possível observar a evolução na jornada do cliente, os pagamentos sem contato ganhando força, o aumento do comércio eletrônico, a capacitação multicanal e relatórios integrados, além da expansão dos canais de notícias. Para o executivo, o futuro dos pagamentos, está apoiado em “3 Cs” (conversões, compliance e custo).


A indústria de pagamentos precisa estar alerta ao comportamento do consumidor para estabelecer novas propostas, transformando as soluções oferecidas atualmente. A análise é do presidente da Cielo, Paulo Caffarelli.


Atualmente, seis milhões de clientes já usam meios de pagamento digital para fazer compras. E este número, segundo Cafarelli, foi acelerado principalmente pela pandemia. “A pandemia tornou a jornada de consumo mais digital e mudanças as precisam acontecer nas empresas. Precisamos olhar para a frente, ou seja, para o cliente do meu cliente.”


Mudança cultural nas empresas


Para ele, no cenário pós-Covid-19 a jornada continuará mais digitalizada. Os consumidores estão cada vez mais trafegando em ambientes físicos e digitais para cumprir uma missão de compra, num comportamento conhecido como phygital, que acelera, de modo significativo, a dinâmica do varejo.


Paulo Caffarelli também falou sobre a mudança cultural das empresas. Segundo o executivo, muitas evitaram divulgar opções digitais de pagamento porque estavam satisfeitas com todo processo tradicional em curso, mas, para ele, “o mundo mudou e o consumidor percebeu que as facilidades ofertadas trazem ainda mais benefícios”.


Com a diversificação de iniciativas, a Cielo pretende se preparar para um varejo menos dependente das maquininhas, principalmente a partir da parceria com o Facebook para criar um sistema de pagamento via WhatsApp.


Futuro


Guru Bhat, vice-presidente Global de Omnichannel do PayPal, observou que mais usuários provavelmente aceitarão e continuarão usando pagamentos digitais como medida de segurança para evitar a disseminação do Covid-19.


“Na desmonetização, a mudança de comportamento e a mudança para os pagamentos digitais foram devido à falta de disponibilidade de dinheiro. Nesse caso, não é por mero incômodo”, disse, acrescentando que o uso de dinheiro não será eliminado.


Diante do que vimos nos últimos anos, podemos apostar em algumas tendências. Os pagamentos devem ser cada vez mais por múltiplos dispositivos, sem atrito e sem barreiras ao comprador. As experiências se tornam mais simples, ágeis e personalizadas, mas também mais seguras. Esse, segundo o executivo, é um dos grandes desafios para o setor financeiro e de meios de pagamento.


Meritocracia existe quando há igualdade de oportunidade, diz CEO do Itaú


A pandemia de Covid-19 colocou em prova o papel das empresas brasileiras como um dos motores das mudanças sociais, fazendo com que muitas delas divulgassem iniciativas que, por vezes, fugiam do seu negócio central. Um exemplo é o banco Itaú Unibanco, que fez uma doação de 1 bilhão de reais ao projeto Todos Pela Saúde, administrado por um grupo de especialistas liderado pelo médico Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês. “Naquele momento admitimos que não sabíamos nada de saúde, mas precisávamos auxiliar”, disse Cândido Bracher, presidente do Itaú Unibanco no evento online Global Retail Show, mediado por Lourenço Bustani, sócio-fundador da consultoria de inovação Mandalah nesta sexta-feira, 18.


Outro desafio do período é promover a segurança dos funcionários ao mesmo tempo em que os negócios continuam gerando faturamento. Na C&A, por exemplo, os funcionários foram para as suas casas com o fechamento das lojas e o marketplace fortalecido. “Estamos o Brasil há pouco mais de 40 anos, e aprendendo também nos momentos de crise. Na pandemia entendemos ainda mais como a transparência e reinvenção são processos contínuos”, afirma Paulo Correa, presidente da C&A.


Na união entre propósito empresarial e atenção às pessoas, os executivos afirmam perceber o tema da diversidade ganhando mais força nas organizações. O momento é de reparar as desigualdades sociais e econômicas no Brasil, onde 56% da população é negra, mas com baixíssima representação em cargos de liderança nas grandes companhias. “Nesta semana me alegrei quando discutiu-se o tema num grupo de 45 sócios do banco e todos estavam autenticamente preocupados a diversidade“, afirmou Bracher.


Para Liliane Rocha, consultora de diversidade e presidente da Gestão Kairós, a boa intenção de fato existe, mas é preciso construir metas assertivas para todos. “Todas as pessoas da organização devem estar envolvidas na meta de uma empresa mais justa e diversa, pois não dá para falar de meritocracia quando não temos os mesmos acessos e direitos para competir como iguais”. A afirmação foi completada por Bracher: “Meritocracia só existe de verdade quando há igualdade de oportunidade”.


Os painelistas concordaram também na importância da educação e da qualidade de vida para a melhoria da empregabilidade e da economia. “A pandemia nos deu uma oportunidade e a visão clara da necessidade de um sonho coletivo. Isso acontecerá se as pessoas conseguirem ser felizes e se dedicarem para além do trabalho”, diz Sidarta Ribeiro, vice-diretor do Instituto do Cérebro UFRN.


As companhias que consegue bom desempenho sustentável podem se associar ao Sistema B. Para o diretor executivo da organização, Marcel Fukayama, o segredo está no propósito e na cultura “A empresa que de fato é sustentável nos seus negócios gera também valor para sua comunidade interna, acionistas, fornecedores e toda a sociedade. Isso se reverte também em ganhos financeiros, mas, para isso, é preciso cultura organizacional clara e propositiva”, diz.


8 lições sobre o futuro do setor de eventos e entretenimento


O setor de eventos e entretenimento – mais afetado durante a pandemia com 98% da categoria atingida – representa 4,32% do PIB nacional, gera 7,5 milhões de empregos diretor, indiretos e terceirizados e paga cerca de R$ 50 bilhões de impostos. Com a chegada da crise, 57% das empresas foram obrigadas a fechar, decisão que atingiu segmentos como branded experience, patrocínios, artistas, produtores, equipes de apoio, parceiros, cenografia e muitos outros.


Uma das alternativas foi recorrer ao digital, com as famosas lives, elevando o Brasil ao patamar de líder no ranking mundial de transmissão ao vivo por artistas no yotutube. Os dados foram expostos por Allan Barros, CEO da Pullse, que destacou o papel social de toda mobilização na internet. A todo, mais de R$ 6 bilhões foram arrecadados em todo território nacional – foram 460 mil doadores, 511 campanhas e 120 lives. “O boom das lives é inegável e marcou passagem, porém, atingiu um pico de saturação e queda de interações”, comentou Allan ao citar que atualmente as buscas por lives não chegam a 25% do que eram no seu auge.


Com isso, novas ou reformuladas experiências físicas surgiram. A volta dos cinemas drive-in, busca por zoos safaris, surgimento de show drive-in, além de palestras e stand-up. Para Allan, uma coisa é certa, a pandemia vai acabar e as pessoas vão querer se reencontrar. “As novas tecnologias não vão substituir a necessidade do encontro e da celebração”, disse.


Como marca a gente nunca pode sair falando só o que a gente quer, porque, necessariamente, isso pode não ter relevância para o consumidor. A relevância permeia tudo que a gente fala. Essa é a opinião de Vanessa Brandão, diretora Sênior de Marcas Premium da Heineken Brasil. “Se eu oferecer uma experiência que tenha relevância e conexão ao meu consumidor, ele vai sempre se lembrar da marca. Ser relevante é responder o contexto de forma criativa e ousada”, comentou.


Novos canais para o consumidor


A crescente dos eventos em ambiente digital é um marco que vai ganhar ainda mais espaço, como o exemplo do Fortnite, com Travis Scott promovendo um show dentro da plataforma com 27 milhões de pessoas é um grande exemplo para reforçar essa teoria. “Existem muitas possibilidades que o virtual e o físico podem nos proporcionar e as marcas precisam aproveitar esse canal”, explicou.


Sobre o e-commerce, Vanessa lembrou que aqueles que não sabiam comprar no online precisou aprender, comportamento que ganhou aderência muito fácil e fez com que os consumidores se acostumassem com a comodidade de ter tudo na porta da nossa casa. “Vamos precisar pensar em como criar experiência para as pessoas que não têm mais paciência de esperar mais. Para a gente ser relevante teremos de mudar um pouquinho a nossa forma de fazer as coisas, comentou.


Um passo de cada vez


“Não fazemos futurologia, mas acreditamos que quando voltarmos ao Rio no ano que vem a conversa já não será igual à que temos agora”, disse Roberta Medina, vice-presidente Executiva do Rock In Rio ao comentar sobre a não realização do evento este ano no Brasil. “O cancelamento do festival no Brasil, neste momento, foi a melhor decisão que tomamos.”


Ao comparar a situação com Portugal [que adiou e não cancelou o evento] Roberta afirmou que o país não conseguiu lidar da melhor forma com a pandemia e defende que “o maior desafio do Brasil é a falta de liderança e visão de liderança. Cada um diz uma coisa”. A executiva aproveitou o tema para elogiar a forma como Portugal lidou com a situação. “A união dos políticos dá mais confiança às pessoas, independentemente deles também não terem as respostas”, comentou.


Estúdio em casa


Sobre as dificuldades da quarentena, Rogério Flausino, cantor da banda Jota Quest, comentou que o pior foi a composição de músicas novas. “Confesso que não consegui escrever nessa pandemia, agora está dando uma aliviada. Eu realmente não consegui escrever, todo mundo ficou muito ansioso, muito travado. Mas apesar de tudo, está bacana para o Jota Quest, lançamos canções, fizemos lives e estamos compondo discos”, comemorou.


Uma das músicas lançadas durante a quarentena foi ‘O Voz do Coração’, com participação do rapper Rael, e o cantor explicou todo o processo de criação da música. “Foi um negócio muito legal. Em 15 de março caiu nossa primeira turnê na Europa e começamos a olhar para as músicas que tínhamos e achamos A Voz do Coração, era meio ‘demo’, fomos arrumando a distância e pensamos em uma parceria e lembramos do Rael, todos somos fãs dele. Mandamos para ele, ele gravou no estúdio, cada um de nós se filmou em casa e o clipe nasceu. Era uma música alegre para o momento e deu tudo certo, ficamos muito felizes”, explicou.


Para finalizar, o artista fez uma provocação ao citar que “o Brasil não vive uma crise política, ele vive uma crise moral.”


Lições sobre o futuro do setor de eventos e entretenimento


O bate-papo, encerrado com a música “Dias Melhores”, da banda Jota Quest, rendeu oito insights:

  • A verdadeira transformação tem que ser humana;

  • Invista na relevância com o seu consumidor;

  • Resgate a memória afetiva do seu target;

  • Em uma crise, direcione uma parte da sua capacidade de produção para resolver algum problema social;

  • Consciência é uma palavra-chave para o futuro;

  • Transparência é o melhor caminho sempre;

  • Entretenimento é o melhor remédio para a nossa alma;

  • Atitude positiva tem poder de superar quaisquer obstáculos.

Inteligência Artificial será a ferramenta mais importante para os negócios, prevê Peter Diamandis

O famoso futurista Peter Diamandis diz que o ritmo acelerado da tecnologia deve nos encher de otimismo. O empresário, fundador e presidente-executivo da Fundação XPRIZE foi uma das atrações de encerramento do Global Retail Show, maior evento online de consumo e varejo do mundo.


Segundo ele, estamos vivendo o momento mais extraordinário de todos os tempos na história da humanidade, um tempo em que as tecnologias exponenciais estão capacitando todos nós a não reclamar de problemas, mas a resolvê-los. Para ele, robótica, impressão 3D, biologia sintética, IA (Inteligência Artificial), blockchain e realidade virtual vão nos permitir criar mais riquezas na próxima década do que em todo o século passado.

“Eu realmente acredito que os maiores problemas do mundo são as maiores oportunidades de negócios. Os empresários de hoje estão procurando resolver esses desafios e problemas”, disse Diamandis.


Também há mais capital disponível do que nunca, o que significa mais ideias sendo financiadas e mais avanços. Além disso, o custo de fazer as coisas também está ficando mais barato: o número de experimentos em andamento nas “garagens do Vale do Silício” está explodindo.


Inteligência Artificial como grande aliada


Na opinião de Diamandis, a maior oportunidade está na inteligência artificial. Ela vai chegar tão rápido, na opinião dele, que não estaremos prontos para ela. A maior preocupação do futurologista é como nós, humanos, e especialmente os governos, vamos lidar com a velocidade das mudanças que estão chegando.


O empresário lembrou que, enquanto muitas pessoas pensam na automação como a maior ameaça ao trabalho humano, a inteligência artificial será ainda mais crucial do que as pessoas imaginam para requalificar trabalhadores em tempos de Covid-19.


Segundo ele, requalificação já era importante para os trabalhadores acompanharem os avanços da tecnologia, e a pandemia aumentou a necessidade de aumentar essas atualizações. “Um dos aspectos mais importantes do futuro será a agilidade. Não se trata de ser especialista, mas sim ágil em sua parceria com a tecnologia e, então, capaz de se adaptar rapidamente ao que é necessário”, disse ele.


Segundo Diamandis, “daqui a dez anos vamos ter dois tipos de empresas as que usam a Inteligência Artificial e as que desapareceram”.


Toda tecnologia poderosa já criada é usada para o bem e para o mal. Mas Peter sugere que olhemos para os dados de longo prazo. Ele reconhece que há desafios, mas diz que, no geral, a tecnologia está tornando o mundo um lugar melhor – e continuará fazendo isso “Para mim, trata-se de exaltar bilhões de pessoas que estão no modo de sobrevivência fundamental”, explicou.


Entusiasta quando o assunto é espaço, Diamandis disse que um de seus maiores desejos é caminhar na Lua e em Marte. “Sou apaixonado por novas tecnologias para prolongar a vida. A ideia de ser capaz de se conectar [via interfaces cérebro-computador] com a mente de outras pessoas nos levaria a um novo nível de empatia. Todas essas tecnologias vão se materializar. Não é uma questão de se, apenas de quando. E você não precisa escolher um ou outro”, disse.

Para Márcio Atalla, ficar sentado é o ‘novo cigarro’ deste século


O sedentarismo é um dos grandes “inimigos” do estilo de vida saudável dos tempos atuais, afirma Marcio Atalla, sócio-diretor de Clínica BemStar. No último dia do Global Retail Show 2020, ele falou sobre estilo de vida saudável sob diversos aspectos, como alimentação, atividades físicas, sono e saúde emocional.


“O ‘novo cigarro’ deste século é o ficar sentado. O sedentarismo é responsável por 9% de todas as mortes no mundo. A gente precisa colocar o nosso corpo em movimento”, disse. Atalla recomendou que as pessoas durmam bem, tentem acordar sempre no mesmo horário e evitem hábitos que podem atrapalhar o sono, como ficar ligado em telas perto da hora de dormir.


Mais fibras e mais água


Sobre alimentação, Atalla ressaltou que não existem alimentos “venenosos”, e que o importante é como você administra seus hábitos. Falou sobre a importância de comer fibras, de não exagerar no consumo de sal, açúcar e gorduras e de se hidratar. E exaltou os alimentos naturais: “Desembrulhe menos, descasque mais.”


Ele também lembrou que não só o aspecto físico, mas também o emocional, é fundamental para uma vida saudável. “Pense bastante nas suas emoções. Como você reage nas situações de estresse, como você fica quando tem algum desentendimento, como você encara a questão do perdão e do autoperdão […] Invista nas relações e nas emoções.”


Luciano Huck diz que quer sair de sua zona de conforto e contribuir para o debate


O apresentador Luciano Huck participou do encerramento do Global Retail Show 2020, em que fez críticas pontuais ao governo, sem endereçá-las especificamente, e defendeu reformas estruturais, mantendo uma postura de “virtual” candidato, como na última eleição presidencial. Perguntado sobre esse “eventual desafio”, Huck disse que é uma “pessoa curiosa”, que andou por todo o País, e que a “resposta sincera que pode dar agora” é que não quer ser uma figura passiva e quer sair da zona de conforto, o que não quer dizer candidatura a nada “neste momento”.


“Ninguém é rico no Brasil enquanto houver tanta desigualdade. Não quero me acovardar em achar que eu tenho a solução, ou pelo menos posso apontar para ela e ficar na minha zona de conforto, na minha casa, protegido nos muros da minha casa. Eu estou no debate público, eu acho que isso não quer dizer que é candidatura de nada, a qualquer coisa neste momento. Eu quero participar e contribuir do debate como eu puder. Neste momento, há uma convocação geracional de que a gente tem que se aproximar da política”, disse.


O apresentador também repetiu uma avaliação de Abilio Diniz, fundador da Penínsulas Participações, também presente ao evento, de que não é preciso fazer política pela vida inteira. “O Abilio serviu ao País durante dez anos. Servir no Brasil é servir água. Tem que bater palma para quem quer servir”, afirmou. “Eu acho que meu papel neste momento é potencializar as ideias, fazer curadoria de gente, para que possamos apresentar para o País, não personalizando em mim, um projeto, o País não tem projeto. A gente precisa ter um plano, um sonho maior”, completou.


Em sua fala inicial, Huck disse que queria ressaltar as coisas boas que aconteceram durante a pandemia do novo coronavírus, como o bom desempenho do agronegócio e do comércio, mas mencionou que houve “gestão temerária” em relação à pandemia. “Não vamos falar das 135 mil mortes na gestão temerária dessa crise sanitária.”


O apresentador afirmou ainda que “é uma cabeça pensante de soluções” que é favorável à conciliação e ao diálogo. “Fico muito preocupado quando nacionalismo exacerbado é tomado por um lado ou por outro.”


Focando bastante no tema da desigualdade, disse que é um dever essa luta, mas que o Estado tem papel preponderante. Segundo o apresentador, as reformas administrativa e tributária são fundamentais para possibilitar que o Estado tenha condições para acolher a todos que precisam. Huck ainda destacou o papel do auxílio emergencial, que, conforme ele, salvou o País nesta crise e ressaltou o Bolsa Família, dizendo que um terço dos alunos que ganharam medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática era beneficiário do programa.

Fonte: Mercado & Consumo.

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